FOLHAPRESS
O dólar teve uma queda nesta quinta-feira (12), continuando a tendência de desvalorização vista nos últimos dias, influenciado pela entrada de investimentos estrangeiros no país.
Às 13h10, o dólar estava 0,25% mais barato, valendo R$ 5,173. Esse movimento acompanha também a queda do índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, que caiu 0,12% lá fora.
Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 0,26%, ficando em 189.113 pontos, perdendo parte dos ganhos do dia anterior, quando atingiu seu maior valor devido à temporada de divulgação de balanços.
Entre os destaques do pregão, as ações do Banco do Brasil chegaram a subir 7,9% após o banco divulgar seu balanço.
O dia no mercado acompanha dados econômicos divulgados no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, foram liberados os dados de serviços de dezembro. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume dos serviços caiu 0,4% em relação a novembro, já com ajuste sazonal.
Mesmo com a queda mensal, o setor cresceu 0,8% no último trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior e subiu 2,8% no ano, sendo o quinto ano consecutivo de crescimento.
Apesar da queda no final do ano, o setor mostrou resistência durante 2025, o que preocupou o Banco Central devido ao possível impacto na inflação.
No mês passado, o Banco Central manteve a taxa básica de juros, Selic, em 15%, mas indicou que pode começar a cortar os juros em março.
O mercado interno também está se beneficiando da entrada de investimentos estrangeiros, influenciado pelos dados de emprego nos Estados Unidos e suas implicações para os juros do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
O relatório de empregos payroll divulgado na quarta-feira mostrou que foram criados 130 mil empregos em janeiro, um aumento em relação aos 48 mil de dezembro.
Economistas esperavam a criação de 70 mil empregos, com estimativas variando de perda de 10 mil a ganho de 135 mil. A taxa de desemprego caiu de 4,4% em dezembro.
Também foram divulgados os pedidos de auxílio-desemprego da semana que terminou em 7 de fevereiro, que caíram 5 mil para 227 mil, acima da previsão de 222 mil.
Esses dados indicam que o mercado de trabalho está estável, o que pode permitir que o Fed mantenha os juros sem mudanças por algum tempo enquanto monitora a inflação.
Marcio Riauba, chefe da Mesa de Operações da StoneX, comentou que os dados recentes do payroll mostram uma criação forte de empregos e fizeram os investidores adiarem a expectativa de cortes nas taxas de juros de junho para julho nos EUA.
Taxas de juros mais baixas nos EUA são positivas para os mercados globais, pois altas taxas atraem investimentos para os títulos de renda fixa americanos, considerados seguros por serem da maior economia mundial.
Por outro lado, políticas recentes do governo de Donald Trump incentivaram a diversificação dos investimentos para além dos EUA, o que resultou em grande volume de recursos entrando na bolsa brasileira em janeiro, movimento que segue em fevereiro.
O real se mantém valorizado devido ao diferencial de juros, já que a Selic está em 15% ao ano, mantendo o interesse em operações de carry trade e entrada de capital estrangeiro na renda fixa e na bolsa de valores. O Ibovespa até voltou a registrar recordes diários nesta semana.
Galípolo defendeu uma postura conservadora do Banco Central para aumentar a confiança no processo de ajuste dos juros previsto para março, sugerindo calma e cuidado nas decisões.
Em evento do BTG Pactual, ele comparou o Banco Central a um navio que não pode fazer mudanças bruscas, e afirmou que movimentos mais suaves fazem parte do mandato da instituição.
Ele também explicou que, devido à incerteza nas projeções econômicas, o Copom optou por esperar 45 dias para começar o novo ciclo de cortes com mais segurança.
No mercado, as apostas indicam 66% de chance de corte de 0,5 ponto percentual na Selic em março, 24% de chance de redução de 0,25 ponto, e 4,25% de chance de corte de 0,75 ponto.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — onde a taxa hoje está entre 3,50% e 3,75% — é apontado como fator que atrai investimentos para o país, levando o dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
