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quarta-feira, 07/01/2026

Queda das petroleiras brasileiras na bolsa após ataque à Venezuela

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TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

As ações da Petrobras e outras empresas petrolíferas brasileiras fecharam em baixa nesta segunda-feira (5) na Bolsa de Valores, após os Estados Unidos atacarem a Venezuela no fim de semana.

Enquanto companhias brasileiras perderam valor, empresas americanas, como a Chevron, se destacaram, ampliando suas operações no país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

Analistas acreditam que as petroleiras brasileiras podem perder relevância diante da possibilidade de novos investimentos na Venezuela, além de enfrentarem preços mais baixos do petróleo devido ao aumento da oferta mundial.

Mesmo com o Ibovespa subindo 0,82%, as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras caíram aproximadamente 1,67%, o que representa uma perda de R$ 6,8 bilhões em valor de mercado. A Prio, anteriormente PetroRio, recuou 1,46%, e a Brava Energia fechou em queda de 5,75%. Por outro lado, a PetroReconcavo registrou alta de 0,63%.

Nos Estados Unidos, a ExxonMobil e a Chevron tiveram valorização de 2,21% e 5,10%, respectivamente. A Chevron é a única grande produtora americana que ainda opera na Venezuela em parceria com a estatal local PDVSA, enquanto a ExxonMobil não tem mais atividades no país.

Em 2023, a ExxonMobil afirmou que a Venezuela devia quase um bilhão de dólares em compensações por projetos expropriados desde 2007, decisão confirmada por um tribunal dos EUA em setembro de 2025.

O preço do petróleo Brent na Bolsa de Londres subiu 1,66%, chegando a US$ 61,76 por barril, enquanto o WTI, dos EUA, aumentou 1,74%, atingindo US$ 58,32.

Economistas destacam que o mercado brasileiro está se comportando de maneira diferente devido à crescente competição na América Latina, especialmente se empresas americanas ganharem mais espaço.

Investidores também preveem que o preço do petróleo pode cair caso a Venezuela aumente sua produção, que caiu muito nas últimas décadas devido à má gestão e falta de investimentos.

Analistas da consultoria Aegis Hedging afirmam que o mercado está incerto sobre como as ações dos EUA afetarão o fluxo de petróleo da Venezuela.

Projeções

Esse cenário gera cautela entre os investidores ao projetar resultados financeiros das petroleiras brasileiras. Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, alerta que o ataque à Venezuela pode ter efeitos parecidos com os ocorridos em 2025.

Segundo Gustavo Cruz, embora as empresas tenham apresentado bons resultados operacionais, o lucro diminuiu por causa dos preços mais baixos do petróleo. A médio prazo, uma possível retomada da Venezuela no mercado, que hoje responde por menos de 2% das exportações mundiais, pode aumentar muito a oferta, pressionando ainda mais os preços.

Na manhã desta segunda-feira, o preço do Brent chegou a cair para menos de US$ 59 por barril.

No caso da Petrobras, há preocupação que a queda nos preços do petróleo e a perda de investimentos para a Venezuela possam levar a estatal a rever seu plano de investimentos, segundo um conselheiro da empresa que preferiu não se identificar.

O assunto será discutido na primeira reunião do conselho de administração prevista para o dia 16.

Para João Daronco, analista da Suno Research, não são esperadas mudanças bruscas ou grandes variações no curto prazo, pois boa parte dessas preocupações já está refletida nos preços atuais.

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