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sexta-feira, 29/08/2025

Quando é melhor não tirar foto, diz professor sobre ética no fotojornalismo

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Em Brasília

Por Maria Paula Valtudes e Riânia Melo
Agência de Notícias do CEUB

Em tempos de conflitos e crises globais, o fotojornalismo de guerra é um campo sensível, onde a verdade nas imagens enfrenta dilemas morais importantes.

O professor de fotografia e fotojornalismo, Lourenço Cardoso, com 16 anos de experiência, destaca que as fotos impactantes envolvem questões éticas complexas.

“No fotojornalismo, espera-se compromisso com a verdade, sem modificar a realidade ou dramatizar as imagens. Interferir é alterar a realidade. Às vezes, o melhor é não fotografar.”

Fotógrafos e meios de comunicação enfrentam o desafio de equilibrar a exposição da dor com a preservação da dignidade das vítimas.

Até onde a imagem pode sensibilizar ou tornar as pessoas indiferentes? E quando o compromisso humano entra em conflito com o jornalístico?

“Mostrar ou não mostrar”

Lourenço Cardoso afirma que lidar com fotografias do sofrimento alheio envolve muitas questões.

Ele explica que a comunidade do fotojornalismo segue um código de ética que orienta como agir em situações delicadas.

“O código de ética indica que fotos que apenas ofendam ou humilhem, sem agregar informação, não devem ser publicadas só para expor pessoas.”

Apesar disso, ele ressalta que as normas éticas nem sempre são suficientes para guiar os profissionais em guerras e conflitos.

Há um debate sobre a importância de divulgar fotos chocantes, que servem como provas da realidade dos acontecimentos no mundo.

Sensibilidade

Desde o surgimento do fotojornalismo moderno no século 19, imagens fortes têm influenciado a opinião pública.

Lourenço Cardoso destaca a foto da menina de Kim Phúc, em 1972, na Guerra do Vietnã, que revelou a brutalidade do conflito e mobilizou a sociedade.

“A foto da menina queimada por bomba de napalm teve grande impacto na opinião pública e tentou parar a Guerra do Vietnã. Hoje, estamos vendo um genocídio na Faixa de Gaza, com milhares de crianças mortas e jornalistas assassinados. O que o mundo faz sobre isso?”

Essa reflexão leva à questão se a exposição constante a imagens de sofrimento gera sensibilização ou dessensibilização.

“Não há resposta fácil para decidir publicar uma foto. A experiência do fotojornalista é essencial. Às vezes as imagens mobilizam, às vezes não.”

Para o profissional, este tema é cada vez mais importante num mundo cheio de imagens e informações, onde sensibilidade e respeito são fundamentais, e mostrar a verdade é um grande desafio.

Usar a experiência para revelar a verdade, mobilizar as pessoas e preservar a dignidade das imagens é essencial.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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