O Partido dos Trabalhadores (PT) está passando por um conflito interno causado por insatisfações acumuladas durante a última eleição e já discute o futuro da sigla depois da aposentadoria do presidente Lula.
Após críticas sobre a condução da campanha, membros do PT organizaram na última semana uma reunião presencial do Diretório Nacional, órgão máximo do partido, para avaliar a eleição e planejar um congresso no próximo ano focado em renovar o partido e outros temas.
Algumas lideranças chegaram a boicotar uma reunião da Executiva Nacional, alegando que aquele não era o fórum indicado para discutir a campanha. Sob pressão, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o diretório para o dia 13 de novembro.
Espera-se que, nesta reunião, Edinho Silva ouça críticas sobre a coordenação da campanha, da qual foi responsável. Alguns líderes reclamam da centralização das decisões, enquanto líderes estaduais pedem mais autonomia para gerir os recursos do partido.
Lula também fez críticas publicamente, mencionando que essa foi a campanha menos organizada desde 1989 e que o partido poderia ter feito mais.
Edinho Silva tomou decisões polêmicas, inclusive ao se candidatar à Câmara dos Deputados, o que acabou prejudicando candidatos do estado de São Paulo.
Vários candidatos reclamam que tiveram que reduzir seus gastos durante a campanha devido a revisões nos valores dos recursos liberados.
Parlamentares eleitos também pedem maior controle dos recursos do PT, o que gera debates entre dirigentes locais e defensores da renovação do partido.
Essa discussão pode influenciar quem serão os novos líderes do partido, pois os dirigentes locais defendem que conhecem melhor a realidade estadual e devem ter mais poder para identificar candidatos com potencial e investir recursos.
Um exemplo é a campanha de Cadu de Lula para o governo do Rio Grande do Norte, que recebeu apenas R$ 1,5 milhão do diretório nacional para os dois turnos, enquanto outros candidatos a deputado receberam mais recursos.
Apesar das mudanças na estratégia para candidaturas, há consenso de que Lula conduzirá sua própria sucessão política. Sua influência aumentou após a última eleição, reduzindo o risco de disputas internas para as eleições presidenciais de 2030.
Aliados citam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) como possíveis sucessores, mas reforçam que a discussão sobre sucessão não deve ser antecipada para não diminuir a autoridade de Lula.
Camilo Santana e Rafael Fonteles fizeram suas carreiras no Nordeste, região que poderia ganhar mais destaque dentro do PT se um deles for escolhido, enquanto Lula nasceu em Pernambuco, mas iniciou sua trajetória política em São Paulo.
Lula disputou sete das dez eleições presidenciais do partido e participou das articulações das outras três. Com 85 anos no final do próximo mandato, é esperado que não dispute mais eleições.
Apesar de nomes já se destacarem, aliados de Lula dizem que o cenário pode mudar antes da escolha do candidato para a próxima eleição, citando como exemplo a eleição de 2010, quando ministros anteriormente considerados favoritos foram substituídos por Dilma Rousseff.
Há reclamações de membros no Nordeste sobre a influência excessiva de políticos de São Paulo dentro do PT, mesmo com o partido obtendo melhores resultados eleitorais em estados como Bahia, Ceará e Piauí. A maior quantidade de filiados em São Paulo costuma garantir mais votos internos para esses políticos.
Em conversas, Edinho Silva ressaltou que o PT precisa melhorar sua organização interna, renovar seus quadros e reformular sua comunicação.
Uma diretriz aprovada recentemente pela Executiva do partido reforça a necessidade de abrir as portas, renovar a participação e envolver os jovens, com campanhas para aumentar o número de filiados jovens.
O partido busca incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nas comunidades, transformando apoio eleitoral em uma força social estruturada.

