Milhares de pessoas se reuniram em Saint-Denis, periferia de Paris, neste sábado (4/4), para um protesto contra o racismo, convocado pelo prefeito Bally Bagayoko. A recente campanha eleitoral francesa trouxe à tona debates sobre discriminação racial devido a ataques racistas dirigidos ao prefeito.
Durante a manifestação, Bally Bagayoko estimulou a multidão com o grito “Resistência! Resistência!”. Entre os presentes estavam sindicatos, associações, líderes políticos da esquerda, incluindo o líder do partido França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, e outras figuras do partido socialista.
“Não temos medo da extrema direita; a luta contra o racismo é uma luta que venceremos”, afirmou Bagayoko. Ele destacou o orgulho da diversidade francesa, dizendo, “Somos a França!”
Desde sua eleição em 15 de março, Bally Bagayoko tem sido alvo de ataques racistas, inclusive em meios de comunicação. Ele criticou fortemente a irresponsabilidade desses veículos e convocou um novo protesto para 3 de maio.
Durante a campanha, o canal CNews, associado ao grupo Bolloré, fez comparações ofensivas e acusações infundadas contra o prefeito. Jean-Luc Mélenchon denunciou essa onda de racismo promovida por elites políticas e midiáticas.
Depoimentos contra o racismo
Participantes da manifestação expressaram indignação. Karim, funcionário público de 52 anos, lamentou que o racismo ainda seja tratado como opinião, enquanto Kantéba Camara-Sissoko, cuidadora de crianças, chamou o momento de pesadelo e pediu mais prefeitos negros. A estudante de direito Sara, natural de Saint-Denis, defendeu o prefeito diante dos ataques e criticou o ex-prefeito que confrontou Bagayoko durante a campanha.
Aly Diouara, prefeito de La Courneuve, pediu organização ao partido socialista presente no protesto, enquanto o deputado socialista Jérôme Guedj ofereceu seu apoio total à iniciativa.
Silêncio do governo e investigações
Bally Bagayoko cobrou a posição do presidente Emmanuel Macron sobre o assunto e criticou a ausência de autoridades do governo em um protesto antirracista. O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que manifestar não é papel de ministro, mas reforçou o comprometimento do governo na luta contra o racismo.
O canal CNews nega formalmente comentários racistas supostamente feitos em seus programas e afirma que foram distorcidos nas redes sociais, fomentando uma polêmica injustificada.
Na última quinta-feira (2/4), o Ministério Público de Paris abriu investigação por insultos públicos baseados em origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião, em resposta à queixa registrada por Bagayoko. O prefeito também solicitou o fechamento do canal envolvido nos ataques.

