Manifestantes e forças de segurança se confrontam durante longa greve nacional na Argentina enquanto o Congresso debate a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. O projeto, já aprovado no Senado, altera regras sobre contratação, demissão, jornada de trabalho e organização sindical.
Os primeiros confrontos começaram no período da tarde quando manifestantes tentaram ultrapassar as barreiras de segurança. A resposta da Gendarmería Nacional Argentina incluiu o uso de canhões de água e gás lacrimogêneo, que foram rebatidos pelos manifestantes.
Por volta do fim da tarde, barricadas foram derrubadas e a polícia reagiu com gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha. Até o momento, não foram confirmadas prisões.
Detalhes da reforma trabalhista
No interior do Congresso, os deputados debatem a proposta em meio à paralisação nacional convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT). A greve afeta transporte público e voos, inclusive entre Argentina e Brasil.
Dentre as mudanças mais significativas abordadas pela reforma estão:
- Modificação no cálculo das indenizações por demissão sem justa causa, excluindo do cálculo o 13º salário, férias e bônus.
- Criação do Fundo de Assistência Laboral (FAL), financiado por contribuições dos empregadores, para custear indenizações, com objetivo de reduzir disputas judiciais.
- Substituição do pagamento obrigatório de horas extras por folgas compensatórias.
- Autorização para pagamentos em pesos ou moedas estrangeiras.
- Implementação dos chamados “salários dinâmicos”, baseados em produtividade ou mérito.
- Aumento da jornada diária de 8 para até 12 horas, respeitando intervalo mínimo entre turnos.
- Pagamento reduzido em caso de afastamento por doença ou acidente voluntário e de risco.
A proposta tem gerado debates acalorados no país enquanto a situação nas ruas permanece tensa e de muita mobilização popular.

