ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS
O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação contra o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) por permitir que um evento do Partido da Causa Operária (PCO) fosse realizado em seu auditório. O evento comemorava os dois anos do ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel.
A promotoria pede que o sindicato pague R$ 120 mil em indenização por danos morais coletivos. A Apeoesp, por sua vez, declarou que não tem ligação com o evento e reafirmou que não apoia a violência nem a exaltação de ações violentas. Ela explicou que o auditório é frequentemente cedido para diversas entidades, movimentos e órgãos públicos.
O espaço foi solicitado pela corrente Educadores em Luta, composta por professores vinculados ao sindicato, que apoiam o povo palestino e pedem o fim dos ataques na Faixa de Gaza e outras regiões da Palestina. O evento, chamado “Guerra de resistência contra o genocídio na Palestina – 2º aniversário da Operação Dilúvio de Al-Aqsa”, aconteceu em 7 de outubro, data que marcou o início dos ataques do Hamas em 2023.
Segundo a Promotoria, a realização do evento ultrapassou a liberdade de expressão e teve caráter discriminatório, promovendo a violência e o ódio contra o povo judeu. Argumentam que o sindicato sabia do evento e não tomou providências para impedir ou controlar o conteúdo apresentado, permitindo o uso do espaço para discursos contra valores constitucionais de igualdade e dignidade humana, além de incentivar o racismo e o antissemitismo.
O Ministério Público enfatiza que esse tipo de discurso prejudica a democracia brasileira, especialmente em um momento em que aumentam as ações de grupos neonazistas no país. O PCO, embora não seja alvo da ação, manifestou solidariedade à Apeoesp e criticou as medidas que, segundo eles, ameaçam a liberdade de expressão e tentam calar as denúncias sobre o conflito na Palestina.
O evento aconteceu pouco antes de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, mediado pelo então presidente Donald Trump dos Estados Unidos, com a participação de Egito, Qatar e Turquia. Apesar do acordo, os ataques prosseguiram, e Trump propôs a criação de um Conselho de Paz para reconstrução da área, ação que preocupa especialistas por poder enfraquecer a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU).

