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Promessa de Bolsonaro de ampliar isenção no IR pode custar R$ 74 bilhões

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No mês passado, o presidente disse que tentaria passar a renda livre do pagamento do imposto para quem ganha até R$ 3 mil mensais. Em 2020, só ficaram isentos do IR aqueles que têm renda inferior a R$ 1.903,98 por mês.

(crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Promessa de campanha renovada em janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro, a ampliação do contingente de isentos do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) pode custar quase de R$ 74 bilhões aos cofres públicos. No mês passado, o presidente disse que tentaria passar a renda livre do pagamento do imposto para quem ganha até R$ 3 mil mensais. Em 2020, só ficaram isentos do IR aqueles que têm renda inferior a R$ 1.903,98 por mês.
Um estudo da Associação Nacional dos Auditores da Receita Fiscal (Unafisco), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast, mostra que a nova promessa de Bolsonaro beneficiaria 4,3 milhões de contribuintes que passariam a ficar desobrigados de fazer a declaração anual. Isso, no entanto, representaria uma redução de R$ 73,87 bilhões na arrecadação do governo federal.
“O que estamos trazendo é que, se ele quer (isentar até R$ 3 mil), então que saiba que custa R$ 74 bilhões. Temos de onde tirar se cortarmos privilégios tributários, mas é preciso que saiba o quanto custa e que terão que enfrentar esses privilégios. Tem de tirar do lugar certo”, afirma o presidente da Unafisco, Mauro Silva.
Ele lembra que os privilégios tributários concedidos pelo governo atualmente – como isenção de IR sobre lucros e dividendos, reduções de tributos a empresas do Simples e a igrejas e entidades filantrópicas – somaram mais de R$ 400 bilhões em 202o, ou seja, mais de cinco vezes do custo da ampliação da isenção do IR.
Desde a campanha, em 2018, Bolsonaro, em um aceno à classe média, prometia ampliar a isenção do tributo. Na época, o compromisso era que passar o limite de isenção de IR para cinco salários mínimos (hoje, seria o equivalente a R$ 5,5 mil)
“Vamos tentar pelo menos para 2022 passar para R$ 3 mil. Está hoje em dia mais ou menos R$ 2 mil, nós gostaríamos de passar para R$ 5 (mil). Não ia ser de uma vez toda, mas daria até o final do nosso mandato para fazer isso aí. Não conseguimos por causa da pandemia”, disse o presidente, em transmissão em suas redes sociais, no dia 14 de janeiro.
Hora errada
Na opinião do economista Fábio Klein, da Tendências Consultoria, não é o momento de fazer qualquer medida que implique em perda de arrecadação, ainda mais algo desse vulto.
“Uma sugestão como essa não casa com o modelo (liberal). O Brasil nunca corrige anualmente a tabela porque isso implica em perda de receita.
Se você pensar que o auxílio emergencial vai custar R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões, vai abrir mão de R$ 70 bilhões neste momento?” questiona.
Defasagem
De acordo com cálculo da Associação Nacional dos Auditores da Receita Fiscal (Unafisco), a tabela de Imposto de Renda está defasada desde 1996 e acumula perda de 103,87%. Se fosse corrigida toda a defasagem, em 2021, praticamente 13 milhões de contribuintes deixariam de pagar o imposto.
Como isso não deve ocorrer, a defasagem acumulada deve chegar a 113% em 2022, e a correção total representaria uma perda de R$ 111,78 bilhões na arrecadação federal.
Para o presidente da Unafisco, Mauro Silva, ao não corrigir a tabela do Imposto de Renda nos anos em que está no governo, Bolsonaro descumpre outra promessa de campanha: a de não aumentar a carga tributária. “O não reajuste da tabela representa um aumento de imposto. Esse dogma do ideário liberal não está sendo respeitado ano após ano”, diz.
Pelos cálculos da associação, para ficar no “zero a zero” nos dois primeiros anos de seu governo, Bolsonaro teria de reajustar a tabela em 13,1%. Sem isso, acabará tendo um acréscimo de arrecadação de R$ 23,2 bilhões no período – um crescimento na carga tributária em 0,34 ponto porcentual neste ano.
Silva defende que o governo apresente um plano para corrigir, aos poucos, a tabela do Imposto de Renda, para tirar esse ônus das costas do contribuinte pessoa física. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Butantan envia à Anvisa pedido para testar soro contra covid em humanos

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O soro anti-covid é produzido à partir da resposta imune de animais e é composto por anticorpos contra a doença

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Produção industrial no Brasil sobe 0,4% em janeiro, diz IBGE

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Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção subiu 2,0 por cento

Produção industrial: as expectativas em pesquisa com economistas eram de alta de 0,4 por cento (Fabian Bimmer/Reuters)

A indústria brasileira iniciou 2021 com alta pelo nono mês seguido em janeiro, mas em desaceleração e sofrendo o impacto do agravamento da pandemia no Amazonas.

Em janeiro, a produção industrial brasileira registrou alta de 0,4% em relação a dezembro, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters, mas mostrou perda de força depois de crescer 0,8% em dezembro e apresentar taxas de 1,1% e 1% respectivamente em novembro e outubro.

Com esse resultado, o setor acumulou crescimento de 42,3% em nove meses de alta, depois de registrar perda de 27,1% entre março e abril devido às medidas de contenção ao coronavírus, quando a produção chegou ao nível mais baixo da série.

Na comparação com janeiro de 2020, a produção teve alta de 2,0%, contra expectativa de um ganho de 2,2%.

Apesar do resultado positivo, os ganhos da indústria em janeiro foram menos disseminados entre as atividades.

“… chama atenção neste mês a quantidade de ramos que ficaram no campo negativo, que foram maioria (14 de 26), um comportamento que não foi observado nos meses anteriores dessa sequência de nove meses de crescimento”, destacou o gerente da pesquisa, André Macedo.

“Foi um crescimento muito concentrado e isso já mostra redução de ritmo e algo bem diferente de meses anteriores”, completou.

Em janeiro, o IBGE apontou que, entre as categorias econômicas, a produção de Bens de Capital foi o destaque com alta de 4,5%. O outro dado positivo veio de Bens de Consumo, com ganho de 1,0%, impulsionada pela alta de 2,0% em Semiduráveis e não Duráveis. Por outro lado, a produção de Bens Intermediários recuou 1,3% no mês.

Macedo destacou que o agravamento da situação da pandemia no Amazonas teve impacto principalmente sobre a produção de Bens de Consumo Duráveis, concentrada no Estado e que apresentou queda de 0,7%.

“Como a pandemia se agravou por lá e foram adotadas medidas, houve prejuízo na produção de motos e produtos da linha marrom”, explicou ele. “Tem um efeito mais intenso da pandemia no Amazonas, especialmente na zona franca de Manaus.”

Entre as atividades, a influência positiva mais relevante foi dada por produtos alimentícios, que avançou 3,1%, eliminando. Na outra ponta, o maior impacto negativo veio de metalurgia, com queda de 13,9%, interrompendo seis meses de taxas positivas.

A recuperação da indústria desde o ápice da pandemia em abril de 2020 encontrou base nas medidas de auxílio do governo e na flexibilização do isolamento, mas ainda assim o setor encerrou o ano passado com queda de 3,5%, de acordo com os dados do PIB informados pelo IBGE.

O setor industrial depende agora da melhora do mercado de trabalho, bem como do cenário inflacionário e de uma retomada do auxílio emergencial.

“O que vinha sustentando a economia em parte era o auxílio emergencial (que acabou em dezembro). Isso pode ter efeito”, disse Macedo. “Para além disso, a indústria tem sido impactada por escassez de matérias-primas, preços mais altos, mercado de trabalho com muitos desempregados e tem ainda efeitos isolados da própria pandemia.”

A pesquisa Focus mais recente do BC realizada com uma centena de economistas mostra que a expectativa é de uma alta de 4,3% da produção industrial em 2021.

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EUA geram 379 mil postos de trabalho em fevereiro e taxa de desemprego cai a 6,2%

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Geração de emprego nos Estados Unidos acelerou e somou 379 mil em fevereiro

Os números de geração de emprego de janeiro foram revisados de 49 mil para 166 mil (Nick Oxford/Reuters)

A geração de emprego nos Estados Unidos acelerou e somou 379 mil em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Departamento do Trabalho do país. A taxa de desemprego dos EUA recuou de 6,3% em janeiro para 6,2% em fevereiro.

Os números de geração de emprego de janeiro foram revisados de 49 mil para 166 mil. Já o corte de postos de trabalho em dezembro passou de 140 mil no relatório original, depois 264 mil no mês passado e, agora, está estimado em 306 mil.

Em fevereiro, o salário médio por hora aumentou 0,23% ante o mês anterior, ou US$ 0,07, a US$ 30,01. Na comparação anual, a alta salarial foi de 5,26%. As previsões eram de acréscimo mensal de 0,20% e ganho anual de 5,2%.

ING: geração de emprego deve acelerar nos próximos meses
A criação líquida de 379 mil empregos em fevereiro é apenas o início de um forte ciclo de recuperação do mercado de trabalho americano, na avaliação do ING. Em nota endereçada a clientes, o banco prevê que os Estados Unidos podem gerar 4,5 milhões de vagas este ano.

Segundo o relatório, os efeitos que contribuíram para o desempenho positivo devem continuar nos próximos meses, entre eles o relaxamento das restrições à mobilidade na Califórnia e reabertura de restaurantes em várias cidades. Com isso, a expectativa é de que o mercado de trabalho acelere ainda mais a partir de abril, à medida que o “lockdown” for retirado de vez nos Estados.

“Isso não vem sem riscos, dada a prevalência de cepas mutantes mais perigosas do vírus e o fato de estarmos muito longe da imunidade coletiva, mas é claramente a direção no momento para a economia”, explica.

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FecomercioSP estima prejuízo de R$ 11 bi por restrições da fase vermelha

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A cifra, de acordo com a entidade, se assemelha aos impactos mensurados de recuo médio mensal de abril e maio do ano passado

Comércio (Ricardo Wolffenbuttel/ SECOM/Divulgação)

A Fecomercio SP calcula que a migração do Estado de São Paulo para as regras derestrição da fase vermelha do Plano SP vai acarretar uma perda média no mês da ordem de R$ 11 bilhões. A cifra, de acordo com a entidade, se assemelha aos impactos mensurados de recuo médio mensal de abril e maio do ano passado.

A decisão do governador João Doria (PSDB-SP) foi comunicada hoje durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e passará a vigorar a partir do próximo sábado 6. A medida visa conter o avanço do contágio da população pela Covid, bem como reduzir o número de mortes decorrentes da doença.

Só na capital a estimativa da FecomercioSP é de uma perda média de R$ 6 bilhões no mês em medição.

O problema maior da reinstalação da Fase Vermelha, que restringe a atividade de setores considerados não essenciais, na visão da FecomercioSP, é que ela não terá a eficácia almejada se não for acompanhada por uma fiscalização constante e intensiva das irregularidades e atividades clandestinas.

A medida, que se inicia neste sábado (6) e vai até o próximo dia 19 de março, prevê ainda toque de restrição de circulação à noite.

No entendimento da FecomercioSP, o comércio formal não é responsável pela proliferação do novo coronavírus, já que a flexibilização das regras de funcionamento desse setor existe desde agosto em diversas regiões do Estado.

 

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Falta de diversidade na força de trabalho afeta economia dos EUA

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Empresas no Índice S&P 500 com diversidade de gênero acima da mediana em seus conselhos geralmente registram retorno sobre o patrimônio 15% maior

Grupo de funcionários da operadora Vivo: a autonomia dos grupos de afinidade e o apoio da alta liderança são essenciais para promover a diversidade (Germano Lüders/Exame)

Buscar a diversidade na força de trabalho e entre líderes não se trata apenas de fazer a coisa certa, mas também faz sentido do ponto de vista econômico, de acordo com analistas do Bank of America. Se os líderes empresariais e do governo dos EUA tivessem decidido, há mais de 30 anos, tomar medidas em relação à diversidade e inclusão, cerca de US$ 70 trilhões teriam sido adicionados ao PIB do país, disse Haim Israel, chefe de pesquisa de investimento temático global do banco, em relatório publicado na terça-feira.

Em 2019, por exemplo, eliminar as disparidades de gênero e raça teria gerado US$ 2,6 trilhões de produção econômica extra dos EUA, enquanto a continuidade da desigualdade racial pode custar ao país entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão em perda de consumo e investimentos na próxima década, segundo o banco. Preconceitos de gênero e raça causam disparidades persistentes no mercado de trabalho e limitam a economia, disse Israel.

As empresas no Índice S&P 500 com diversidade de gênero acima da mediana em seus conselhos geralmente registram retorno sobre o patrimônio 15% maior, e aquelas com forças de trabalho diversificadas étnica e racialmente tendem a mostrar um retorno sobre o patrimônio 8% maior, de acordo com a pesquisa do Bank of America. Empresas mais diversificadas também enfrentam riscos mais baixos nos resultados em relação a pares com menos diversidade.

Israel adverte que a maioria dos esforços de diversidade e inclusão corporativa se concentra em gênero em detrimento de outros grupos – LGBTQ, pessoas com deficiência e minorias religiosas – que correm risco de ficar para trás.

O Citigroup disse em relatório no ano passado que reduzir as brechas raciais nos EUA teria gerado US$ 16 trilhões adicionais de produção econômica desde o início do século. E, nos próximos cinco anos, os EUA podem adicionar US$ 5 trilhões em atividade econômica ao diminuir a desigualdade entre americanos negros e brancos, disse o banco.

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Fluxo de capital para mercados emergentes perde força, diz IFI

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Movimento sinaliza que o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA esfriou a euforia com a distribuição de vacinas e ganhos dos mercados de commodities

Bolsa de valores em Nova York (NYSE) (Mario Tama/Getty Images)

O forte fluxo de capital para mercados emergentes após o pior da pandemia desacelerou com o menor apetite por risco, segundo o Instituto de Finanças Internacionais.

Investidores injetaram US$ 31,2 bilhões em ações e títulos de países em desenvolvimento em fevereiro, abaixo do recorde de US$ 107,4 bilhões em novembro, de acordo com o IFI. É um sinal de que o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos esfriou a euforia com a distribuição de vacinas e ganhos dos mercados de commodities, de acordo com o instituto, que representa empresas financeiras globais.

“Os temores de um ciclo reflacionário nos EUA, combinados com a rotação do mercado de ativos, limitaram a escala de entradas de capital para mercados emergentes e aumentaram o risco de perdas”, disse em relatório Jonathan Fortun, economista do IFI em Washington. Segundo ele, os rendimentos crescentes nos EUA elevam o risco de uma turbulência causada pela possibilidade de retirada dos estímulos.

Em fevereiro, títulos de dívida de mercados emergentes atraíram US$ 22,8 bilhões em compras líquidas de não residentes, mostram os dados. As ações receberam apenas US$ 8,4 bilhões, a maior parte destinada à China. Foi a menor entrada em ações do mundo em desenvolvimento desde que gestores sacaram US$ 5,3 bilhões em outubro, de acordo com o IFI.

 

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domingo, 7 de março de 2021

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