ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Invictos Trekking é um projeto baseado em Palmas (TO) que incentiva os homens a se tornarem invencíveis não por sua força, mas pela fé em um Deus invencível. Somente homens participam.
As imagens dos participantes rezando na natureza lembraram muito o movimento conhecido como ‘Legendários da Shopee’.
O motivo dessa comparação é que o Invictos segue uma ideia parecida com o Legendários, que é um programa conhecido nacionalmente e que atraiu muitos seguidores, incluindo alguns importantes do coaching brasileiro, como Pablo Marçal.
Outros grupos similares têm surgido pelo país, buscando restaurar a masculinidade tradicional com forte presença religiosa e superação pessoal, inspirando-se em Jesus Cristo.
Um exemplo é o Guardiões, liderado por Jason Diamantino, que é general do Exército e pastor da igreja Verbo da Vida na Paraíba. Ele escreveu o livro “Coisa de Homem”, com ensinamentos bíblicos sobre masculinidade.
Esses projetos compartilham a ideia de que a sociedade atual torna os homens passivos e sem iniciativa.
No Guardiões, os homens são treinados para serem protetores firmes de suas esposas e famílias, dedicando-se a Deus e ao papel tradicional do homem.
O BravusCor é outro projeto, com base na fé católica, que utiliza desafios físicos, disciplina e espiritualidade para fortalecer a identidade masculina e os valores familiares.
Todos são exclusivos para homens e promovem a ideia de que o papel do homem é ser o provedor da família, enquanto a mulher deve cuidar do lar, conforme a Bíblia.
O Invictos também incentiva a valorização da esposa por meio de declarações de amor e respeito feitas publicamente pelos participantes.
Segundo o pastor Davi Filho e Hudson Andrade, porta-voz do Invictos, as mulheres ganham um papel central ao receber cuidado dos homens em várias áreas da vida doméstica.
A participação nesses eventos custa cerca de R$ 200, valor subsidiado pela igreja que os organiza, diferente do Legendários, que cobra mais de R$ 1.000.
Taylor Aguiar, doutor em antropologia, explica que esse tipo de movimento religioso se adapta bem, oferecendo alternativas segmentadas para públicos diferentes no meio evangélico.
Já a economista Deborah Bizarria destaca que o protestantismo permite a liberdade para grupos criarem suas próprias formas de prática religiosa, diferente do catolicismo tradicional.
Esses projetos combinam teologia e coaching para oferecer apoio espiritual e pessoal, transformando a visão e o papel dos homens na sociedade e na família pela fé e disciplina.

