Por Mayara Mendes
O projeto Futsal Down Brasil oferece mais do que apenas a chance de jogar futsal; ele promove a inclusão e o reconhecimento dos jogadores.
Desde agosto de 2023, diversas famílias se uniram para criar um espaço que vai além do esporte.
Esse projeto proporciona socialização, bem como benefícios físicos e emocionais. Inspirado em times de Belo Horizonte, ele transforma a quadra em um ambiente de amizade, aprendizado e acolhimento.
O futsal segue as regras da FIFA, com algumas adaptações no tempo de jogo, e tem ganhado destaque no Brasil, país onde a seleção masculina já foi campeã mundial três vezes.
O projeto se fortalece por meio de campeonatos regionais e nacionais, que incentivam a convivência social e o desenvolvimento esportivo dos atletas.
Cerca de 35 atletas, de 4 anos até adultos, treinam todos os sábados na quadra coberta do Ginásio de Esportes do Cruzeiro Novo.
O projeto possui times de crianças, adolescentes, jovens, adultos e também uma equipe feminina.
O grupo de jovens e adultos forma a equipe oficial do Futsal Down DF, que conta com uma estrutura consolidada e treinos em horários específicos. Os técnicos voluntários da Liga Candanga de Futsal e a coordenação ativa das famílias acompanham e motivam cada treino.
Maria de Nazaré Silva dos Santos, uma das coordenadoras, observa a evolução dos atletas com atenção.
“Alguns atletas começaram com a saúde debilitada e hoje treinam com mais equilíbrio. Outros que eram mais reservados hoje têm amizades e interagem com todos.” A coordenação é voluntária, mas com gestão social profissional adaptada ao esporte inclusivo.
Dentre as famílias, Andreia Soares Almeida, mãe de João Roberto, de 15 anos, que participa do projeto há dois anos, percebeu grandes mudanças no filho.
“Conheci o projeto pela idealizadora Silma, que é minha amiga de longa data. Procuro sempre incluir meu filho em atividades que promovam inclusão social, seja em educação, esporte, recreação ou socialização. O envolvimento da Silma e da Cléo mostra compromisso e dedicação.”
O projeto oferece não só o esporte, mas também uma rede de apoio para as famílias, fortalecendo a comunidade. Andreia relata os avanços de João tanto na saúde física quanto emocional.
“Ele melhorou na mobilidade, equilíbrio e concentração. Além disso, se diverte muito, fez muitos amigos e até arranjou namorada. É a primeira atividade dele que o pai também participa. Ele se sente parte de um grupo que entende e apoia.”
João revelou que começou a jogar futsal quando o pai o levou para os treinos.
Ele não sabia jogar no início, mas hoje aprendeu, fez amigos e consegue marcar gols.
“Gosto dos meus amigos e de fazer gols. Quando minha avó faleceu, fiquei triste, mas o treinador e meus amigos me acolheram. Meu pai me levou e hoje já sei jogar,” falou ele.
Para Cleunice Bohn, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, o esporte traz benefícios importantes.
“Pessoas com Síndrome de Down geralmente têm músculos mais fracos, e a prática de exercícios melhora a saúde, postura e bem-estar.”
Além disso, o projeto ajuda no desenvolvimento da comunicação, autonomia e interação social dos atletas.
Muitos participantes chegam tímidos e reservados, mas tornam-se confiantes e participativos. “Os encontros aos sábados também são momentos importantes para as famílias, que trocam experiências sobre terapias, desenvolvimento e desafios, fortalecendo a rede de apoio,” explica Cleunice, mãe de Giovana, de 16 anos, atleta do projeto.
Cleunice também destaca a presença crescente dos familiares nos treinos. “O envolvimento dos pais mostra mudanças positivas, fortalecendo a família e a inclusão social.”
Quanto ao futuro, a coordenadora Nazaré está otimista.
“O projeto está no começo e observamos as habilidades de cada atleta. Nosso sonho é que cada estado reconheça o potencial de seus participantes.”
Atualmente, o Futsal Down Brasil conta com cerca de 40 equipes em estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Amazonas e São Paulo. Isso mostra o avanço do esporte como ferramenta de inclusão.
Apoio financeiro
Embora promova a inclusão social, o Futsal Down enfrenta desafios para manter as atividades e garantir que times masculinos e femininos participem de treinos e competições.
Em Brasília, os atletas participaram da Copa Hoppe e do Campeonato Candango de Futsal, mostrando suas habilidades e conquistando espaço no esporte paralímpico.
Cleunice destaca a necessidade de apoio financeiro e institucional para o crescimento do projeto.
“Esperamos incentivos por meio de políticas públicas, pois é comprovado o impacto positivo na saúde física, emocional e social dos atletas. Agradecemos à Secretaria e à Administração Regional do Cruzeiro, que cederam a quadra para os treinos.”
Ela ressalta também a importância da localização da quadra.
“O Cruzeiro é um local central e de fácil acesso para atletas que vêm de várias regiões próximas. Além disso, a comunidade acolhe com carinho o projeto, fortalecendo a inclusão.”
A sustentabilidade do projeto depende do empenho da sociedade civil, empresas e órgãos públicos. Doações de materiais esportivos, alimentos e parcerias com profissionais da saúde ampliam o acesso e participação dos atletas.
Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira