A cesta contendo verduras, frutas e legumes que chega à casa da dona de casa Antônia Ferreira de Abreu, de 69 anos, é fundamental para garantir a alimentação dela e da filha. Essa família é uma das atendidas pelo Banco de Alimentos das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), que combate a falta de comida saudável por meio de dois programas criados pelo Governo do Distrito Federal (GDF): o Todos Contra a Fome e o Desperdício Zero.
Um dos programas compra alimentos da agricultura familiar para montar cestas verdes, enquanto o outro distribui produtos hortícolas que perderam valor comercial, mas ainda são próprios para consumo. Com a cesta verde, Antônia consegue variar a alimentação. Ela destaca que gosta especialmente das frutas: “É muito bom, porque eu não posso comprar verduras, o dinheiro não é suficiente. Pagamos as contas e sobram poucos recursos, então essa ajuda é muito importante. Agora sempre tenho alimentos na geladeira. Isso faz diferença para todos nós”, diz.
Ajuda para quem precisa
O programa Todos Contra a Fome compra frutas, legumes e verduras de pequenos agricultores cadastrados. Esses alimentos são organizados em cestas verdes, planejadas com a orientação de uma nutricionista do Banco de Alimentos, e entregues a instituições sociais que atendem famílias em situação difícil.
Hoje, o programa atende cerca de 60 instituições e distribui aproximadamente 4.400 cestas por mês. Cada cesta pesa cerca de 5,5 quilos e é suficiente para uma família de quatro pessoas, alcançando em média 16 mil pessoas mensalmente. Até agora, 37 pequenos produtores já forneceram alimentos para o programa, que beneficiou mais de 170 mil pessoas.
O Programa Desperdício Zero recolhe alimentos doados por produtores e comerciantes da Ceasa-DF. Esses alimentos passam por uma seleção no Banco de Alimentos para garantir que estejam próprios para o consumo e depois são distribuídos às instituições cadastradas. De março a setembro de 2026, o programa destinou 234.077 quilos de alimentos.
A coleta ocorre principalmente nas feiras às segundas e quintas-feiras, quando há maior volume de produtos, além dos boxes funcionando durante a semana. As entregas às instituições seguem a disponibilidade dos alimentos. No Todos Contra a Fome, a distribuição acontece a cada 15 dias, com a compra e montagem das cestas verdes.
Diversidade na alimentação
Segundo o presidente do Banco de Alimentos da Ceasa-DF, Cleison Wellington Gonçalves de Oliveira, os dois programas têm papéis complementares: o Desperdício Zero evita o descarte de alimentos próprios para consumo e o Todos Contra a Fome amplia o mercado para pequenos produtores e garante produtos frescos para as famílias atendidas.
Cleison destaca que o investimento do GDF é muito importante para combater a fome e a insegurança alimentar, problemas presentes não só no Distrito Federal, mas em todo Brasil. Ele ressalta que, embora muitas famílias possam comprar itens básicos como arroz e feijão, verduras e frutas muitas vezes ficam de fora por falta de dinheiro. A cesta verde ajuda a diversificar a alimentação e também a prevenir doenças.
Parcerias que ampliam o alcance
O Banco de Alimentos da Ceasa-DF trabalha com organizações sociais que ajudam a entregar as cestas às famílias. Em Sobradinho II, a Associação Núcleo Base de Futebol G-10 atua desde 1995 nas áreas de esporte, cultura e saúde. O coordenador de projetos, Laylton Costa Torres, destaca que a associação participa do Todos Contra a Fome e atende cerca de 90 famílias com os alimentos recebidos.
“A maior preocupação de um pai de família hoje é garantir comida na mesa. Nós vemos esse trabalho como muito importante e sabemos que temos um papel em ajudar nesse processo”, afirma Laylton. Um dos beneficiados, o administrador Venicius Gomes, de 58 anos, ajuda na distribuição e ressalta a importância da parceria: “Muita gente sofre e às vezes tem vergonha de pedir ajuda, então quando chegamos com uma cesta, vemos a alegria no rosto das pessoas”.
No Gama, o projeto Capoeira para Todos, ligado à Associação Capoeiristas do Rei, distribui alimentos do Banco de Alimentos a cerca de 800 famílias. O fundador, Pedro Telles de Araújo, destaca que essa parceria fortalece o trabalho social e complementa o treino esportivo, já que os participantes precisam de alimentação adequada para manter a rotina.
“Quando terminam os treinos e recebem a sacola com verduras e frutas, os olhos deles brilham de alegria”, conta Pedro, que antes precisou buscar alimentos descartados para levar para casa, experiência que mostra a importância de iniciativas que utilizam alimentos e os distribuem para quem precisa.
Pedro Braga, 33 anos, freelancer e praticante de capoeira no projeto, também é beneficiado. Ele conta que, mesmo com o trabalho próprio e do irmão, era difícil manter a alimentação adequada para quatro pessoas, com um gasto extra de cerca de R$ 400. A ajuda dos programas contribuiu muito para a família e ainda permite compartilhar alimentos com vizinhos que enfrentam dificuldades.
Antônia é atendida pela Associação dos Amigos dos Autistas do Distrito Federal (AMA-DF). A presidente da instituição, Zenalha Alves da Silva, afirma que cerca de 600 famílias já foram beneficiadas pela parceria com o GDF. “Desde o início, o projeto tem trazido mudanças significativas. Uma barriga cheia renova a esperança em todas as áreas da vida”, avalia.
Como participar
A seleção dos agricultores familiares é feita por editais publicados a cada três meses. Os interessados precisam apresentar a documentação exigida e, após aprovação, podem fornecer seus alimentos ao Banco de Alimentos.
As instituições sociais também podem se cadastrar para receber os produtos. O cadastro é feito pelo site da Ceasa-DF com o envio da documentação necessária. Após visita técnica e aprovação, a instituição entra no sistema de rodízio para receber as doações.
*Informações fornecidas pela Agência Brasília
