Por mais de vinte anos, a babá Rosineide da Costa Almeida, de 37 anos, viveu com medo constante de sofrer agressões físicas e psicológicas do ex-marido. O ciclo de violência terminou em 31 de janeiro de 2023, no dia do seu aniversário, quando ela fez o primeiro boletim de ocorrência após ser perseguida pelo agressor.
Ela foi encaminhada ao Programa de Prevenção Orientado à Violência Doméstica e Familiar (Provid), da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), e desde então nunca mais teve contato com o agressor. “Queria que todas as mulheres tivessem a chance que eu tive. Muitas morrem porque não sabem que existe ajuda. Não é só um papel, funciona mesmo. Salvou a minha vida”, afirmou.
O Provid é um serviço especializado que atende mulheres em situação grave de violência doméstica, focando na prevenção de novos casos e feminicídios. O programa realiza visitas de apoio, acompanha medidas protetivas, promove ações educativas e articula-se com uma rede de proteção que inclui o Judiciário, assistência social, saúde e órgãos de defesa da mulher.
Desde 2019, cerca de 115 mil mulheres foram atendidas pelo Provid. No ano passado, o programa fez 25.565 visitas de apoio, 391 ações de prevenção e integração com a rede, 2.095 triagens e 1.832 visitas. Além disso, 1.164 famílias tiveram acompanhamento constante, e 883 medidas protetivas de urgência foram monitoradas diretamente pela PMDF.
Em 2025, o combate à violência foi reforçado com a compra de 27 viaturas, distribuídas entre 22 unidades operacionais, incluindo o Batalhão Rural. Isso permite ampliar o suporte às vítimas. No mesmo ano, 32 policiais militares concluíram curso específico para atuar no programa.
A tenente-coronel Renata Cardoso, coordenadora do Provid, destaca o atendimento humanizado e personalizado. “É um trabalho feito por policiais treinados, que avaliam o risco de cada caso e elaboram, junto com a mulher, um plano de segurança”, explica. “O objetivo é proteger, orientar e ajudar essa mulher a recuperar sua autonomia.”
Rosineide recebeu o Dispositivo de Acionamento de Emergência Viva Flor, além de visitas frequentes das equipes. “Eu achava que a polícia não poderia me proteger o tempo todo, mas estava enganada. Eles não ficam 24 horas na minha casa, mas me protegem 24 horas”, relatou.
Durante as visitas, as equipes criam planos de segurança personalizados, com orientações sobre rotinas seguras, cuidados na residência, trajetos alternativos e ações para emergências.
O Provid trabalha em conjunto com outros serviços, como o Copom Mulher, criado em 2024 para atender vítimas, e a Diretoria de Monitoramento de Pessoas Protegidas (DMPP), responsável pelo Viva Flor e o monitoramento eletrônico dos agressores.
A medida protetiva no Distrito Federal é emitida rapidamente, muitas vezes em poucas horas. Além disso, a mulher pode pedir recursos como o Viva Flor e o acompanhamento do Provid, mesmo sem ordem judicial específica. São ferramentas que salvam vidas, destaca a tenente-coronel Renata Cardoso.
O acesso ao programa geralmente ocorre por meio de registro policial, que pode resultar em inquérito e processo judicial. Após avaliação do risco, vítimas em situação grave são encaminhadas para acompanhamento especializado. O Copom Mulher facilita o acesso, atendendo chamadas ao 190 e orientando as vítimas.
Os canais de atendimento são o telefone 180 para denúncias gerais, o 190 para emergências com a PMDF e o 197 para denúncias anônimas à Polícia Civil.
