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sábado, 21/03/2026




Programa Minha Casa, Minha Vida atrai mais construtoras antes focadas no luxo

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O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) está registrando um grande crescimento de contratos em todo o Brasil, fazendo com que muitas construtoras que antes atuavam apenas na construção de imóveis de alto padrão estejam agora entrando no mercado de habitação popular. Além disso, os benefícios fiscais introduzidos pela reforma tributária estão tornando esse segmento ainda mais atraente.

A construtora Eztec, com sede em São Paulo, é um exemplo recente desse movimento e pretende lançar novos projetos dentro do programa este ano. Silvio Zarzur, presidente executivo da Eztec, afirmou em uma teleconferência com investidores que o mercado do Minha Casa, Minha Vida está em crescimento e sua empresa precisa participar dele.

Há alguns anos, a Eztec havia criado a marca Fitcasa para atuar no setor, mas depois saiu devido às margens de lucro pequenas. Contudo, no último ano, retornou ao mercado por meio de parcerias com empresas especializadas, como a Cury.

A Cyrela Brazil Realty também está expandindo sua presença no programa, através da marca Vivaz. Em 2023, os lançamentos deste segmento representavam 10% do total da empresa, subindo para 29% em 2025. Para 2026, a previsão é que esse número cresça ainda mais, com a empresa apostando nas melhorias previstas no programa, como aumento dos limites de preço e das faixas de renda, que devem ser votadas em março. Miguel Mickelberg, diretor financeiro da Cyrela, destacou que esses ajustes vão beneficiar o poder de compra das famílias e ampliar o mercado.

No Rio Grande do Sul, a Melnick, tradicional em imóveis de padrão médio e alto em Porto Alegre, criou a marca Open para atuar no segmento econômico. Desde o ano passado, já lançou três projetos com mais de 700 apartamentos e possui terrenos para até 2.100 unidades a serem lançadas em breve.

No Nordeste do Brasil, a Moura Dubeux, a maior construtora da região, formou em 2025 uma joint venture com a Direcional, que é uma grande empresa nacional do MCMV. Juntas, elas planejam atuar no segmento popular nas cidades de Natal, Fortaleza, Recife e Salvador.

Outras empresas, como Trisul, Lavvi e Tecnisa, também criaram divisões específicas para o programa e estão ganhando força nos lançamentos. Em São Paulo, a Even, conhecida pelo mercado de luxo, também avalia investir em projetos do Minha Casa, Minha Vida geridos por especialistas.

De acordo com o analista de construção civil do Itaú BBA, Elvis Credendio, o crescimento do programa atrai as empresas e as faz focar nesse setor. Ele ressaltou ainda que, para as incorporadoras que têm poucos lançamentos para a classe média, que enfrenta juros altos de financiamento e vendas em baixa, o Minha Casa, Minha Vida oferece condições de crédito com juros menores devido a subsídios do FGTS, tornando as vendas mais animadoras.

Credendio explica que seriam necessárias quedas significativas na taxa Selic e nos juros de longo prazo para melhorar substancialmente o poder de compra da classe média e esquentar as vendas nesse segmento, justificando a mudança das construtoras para o mercado popular.

A analista de construção do Santander, Fanny Oreng, complementa que essa mudança das empresas é uma reação ao ciclo de juros altos para imóveis de classe média e também uma estratégia para tirar proveito dos benefícios da reforma tributária.

A reforma tributária prevê vantagens específicas para a habitação popular, com reduções nos impostos IBS e CBS para imóveis desse segmento, reduzindo a carga tributária para as construtoras que atuam nele, conforme destacou Oreng.

Considerando esses fatores, o mercado popular se tornou uma área estável e segura para o setor imobiliário. Na cidade de São Paulo, o Minha Casa, Minha Vida representa 61% dos lançamentos e 64% das vendas de imóveis novos, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Em nível nacional, a participação fica um pouco acima de 50%, conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Estadão Conteúdo




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