Os professores da rede pública do Distrito Federal se reuniram na primeira assembleia de 2026 para discutir e aprovar o plano de ações deste ano. A votação foi feita pela primeira vez de forma eletrônica e entre os principais temas estava a reestruturação da carreira, além da exigência da nomeação dos aprovados no concurso público de 2022. O protesto começou no estacionamento da Funarte e seguiu até o Palácio do Buriti, local onde os participantes reforçaram a necessidade da paralisação da categoria a ser realizada em 15 de abril, sem decretar greve imediata.
Durante a assembleia, foi ressaltado o abandono da educação no DF, com reclamações sobre salas lotadas, falta de novas escolas e atrasos no pagamento dos profissionais. A rede também sofre com a ausência de políticas para expansão, falta de funcionários concursados e infraestrutura precária. Discutiu-se ainda o ‘Caso Master’ e os problemas enfrentados com o Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores (Inas-DF).
De acordo com Márcia Gilda Moreira Costa, diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), o encontro é tradicional e serve para definir as lutas da categoria em prol da valorização por meio da reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho, matrícula justa e contratação dos aprovados no concurso, além de novos concursos para recompor o quadro de profissionais.
Márcia também destacou que mais de 15 mil professores enfrentam condições difíceis, citando como exemplo o pagamento atrasado e incorreto dos professores temporários este mês. Segundo ela, apesar do amor pela profissão, a categoria merece respeito e dignidade. O calendário de lutas aprovado inclui eventos como sessão solene na Câmara Legislativa, comissões para discutir o Educa DF, marchas e atividades sindicais ao longo do ano.
Também foi aprovada a necessidade de auditoria nas contas do Governo do Distrito Federal, do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores e do Instituto de Previdência dos Servidores. A categoria aguarda a efetiva negociação sobre a reestruturação da carreira, hoje discutida com as secretarias responsáveis, para que as propostas saiam do papel e beneficiem os profissionais da educação.
Reestruturação e dignidade
A servidora prestes a se aposentar, Marta Paiva Scardoa, de 57 anos, reforçou a importância da luta para preservar direitos e valorizar a carreira, que sofre com desrespeito e salários baixos – Brasília está apenas na nona posição no ranking nacional. Para Marta, a educação pública é um espaço democrático e fundamental para a comunidade, mas enfrenta sérias dificuldades nas condições de trabalho, exigindo uma reestruturação urgente para garantir dignidade aos profissionais e qualidade aos alunos.
Joana Darc do Carmo Alves Cruz, com 59 anos e 37 de dedicação à educação, afirma que a participação nas assembleias é fundamental para continuar a luta pelos direitos da categoria. Ela ressalta que a busca pela reestruturação da carreira ainda não está concluída, mas o movimento avança.
Juliana Queiroz, professora há 15 anos e temporária há 9 na Secretaria de Educação, destaca a importância de convocar os aprovados no concurso para completar o quadro de docentes, argumentando que muitos professores atuais são temporários, o que prejudica o trabalho e o reconhecimento da profissão.
A assembleia contou com a presença dos deputados distritais Gabriel Magno e Chico Vigilante, além da deputada federal Érika Kokay. O evento encerrou com uma manifestação contra o Caso Master em frente ao Palácio do Buriti.
