Simone Marques da Silva, professora de 46 anos, foi brutalmente assassinada a tiros em Ipojuca, Pernambuco, em meio a uma investigação sobre um esquema de desvio de emendas parlamentares que pode ter causado um prejuízo de R$ 27 milhões. A Polícia Civil deflagrou a Operação Alvitre para desarticular essa rede de corrupção envolvendo a Prefeitura Municipal e a Câmara de Ipojuca.
Imagens mostram Simone entregando dinheiro ao secretário especial de Juventude, Diego Fernandes de Oliveira Araújo, conhecido como Diego Araçá, o que confirma as suspeitas de repasses ilegais. Após a morte da professora, que também participava do esquema e recebia parte dos recursos, as investigações avançaram visando identificar todos os envolvidos.
Ela estava sendo investigada por chantagear pessoas com vídeos e áudios comprometendo o esquema. Apesar de ter sido intimada a depor, não conseguiu comparecer devido ao seu assassinato poucas horas após a notificação do delegado Ney Luiz Rodrigues.
A rede de propina envolve parlamentares e operadores, incluindo movimentações financeiras atípicas associadas a uma funcionária fantasma. Entidades ligadas à gestão da professora, como a Associação Cultural Social e Recreativa MUDART, receberam milhões de reais entre 2017 e 2024, com um aumento significativo em 2024.
Os recursos vieram de emendas parlamentares destinadas por vereadores como Flávio Henrique do Rêgo Souza, Genival Ferreira da Silva e Gilmar Costa da Silva. A Polícia também constatou que as entidades utilizadas funcionavam em residências simples, sem capacidade técnica para administrar os projetos beneficiados.
Diego Araçá, com longa carreira política herdada do avô, ex-vereador José Apolinário de Oliveira, teria usado o cargo na Secretaria de Juventude para operar os desvios, incluindo em outra entidade, o Centro de Promoção à Infância e ao Adolescente (CPIA).
A Operação Alvitre foi dividida em três fases, com várias prisões e mandados de busca e apreensão cumpridos entre 2025 e 2026 nas cidades de Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. O Ministério Público continua analisando os documentos e materiais recolhidos para rastrear o destino dos recursos desviados.
