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sábado, 03/01/2026

Professor brasileiro sofre AVC no México e família faz vaquinha para repatriá-lo

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JÉSSICA MAES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O professor de história Wagner de Oliveira Fernandes, de 78 anos, estava realizando um sonho de conhecer o México quando sofreu vários AVCs no dia 13 e está internado em estado grave na capital mexicana.

A família quer trazê-lo de volta para o Brasil, mas o transporte exige uma UTI aérea, que custa cerca de R$ 650 mil, segundo orçamentos recebidos.

Por isso, estão organizando uma vaquinha online e buscando ajuda de empresas e do governo do Brasil.

No dia 9 de dezembro, ao chegar com a esposa e uma das filhas na Cidade do México, Fernandes teve uma arritmia cardíaca e precisou de atendimento médico. Ficou internado por alguns dias, mas continuou cansado e com batimentos acelerados.

A esposa, Silvana Penachione, que é médica de família no sistema público brasileiro, sugeriu uma cardioversão, um choque controlado para corrigir a arritmia.

O professor já tinha passado por este procedimento antes e respondeu bem.

Porém, o hospital optou por um procedimento mais complexo chamado ablação, que destrói pequenas áreas do tecido cardíaco causadoras da arritmia.

Após a intervenção em 12 de dezembro, Silvana percebeu que o marido estava tendo um AVC e alertou os médicos. Embora a ablação seja minimamente invasiva, ela pode provocar AVCs raramente, principalmente em pessoas predispostas.

Foi feito um novo procedimento para tentar conter o AVC, mas Fernandes sofreu mais AVCs que agravaram seu estado.

Ele ficou duas semanas intubado e sedado na UTI para estabilizar seu quadro, mas continua internado.

Janaína Fernandes, uma das filhas, explica que recentemente ele passou por uma traqueostomia e está conectado à ventilação mecânica.

Janaína chegou à Cidade do México no dia 29 para ajudar a cuidar do pai.

“Ele fica muito tempo inconsciente. Às vezes abre os olhos e parece sorrir, mas não temos certeza. O lado direito do corpo está paralisado”, conta.

A família criou uma campanha de arrecadação (@apoioprowagner) onde Silvana atualiza o estado de saúde do marido.

“Foi um AVC extenso”, diz ela. “Wagner está em situação grave, lutando todos os dias.”

“Ninguém espera que uma viagem de férias vire uma situação de saúde tão grave de repente”, completa a médica.

Na sexta-feira 2, um terremoto de magnitude 6,5 atingiu a Cidade do México, levando à evacuação do hospital, exceto para pacientes na UTI.

Janaína conta a angústia do momento: “Saímos correndo. Todos foram evacuados, menos meu pai que não pode deixar a UTI. Ficamos ainda mais desesperadas por ajuda para trazê-lo para o Brasil.”

Além dos gastos inesperados, a família precisa repatriar Fernandes porque Silvana deve voltar para Campinas (SP) para trabalhar.

“Achamos que no Brasil ele terá um bom tratamento e que estar perto da família e amigos ajudará na recuperação”, afirma uma das filhas.

Eles estão buscando apoio das autoridades, mas o Ministério das Relações Exteriores explicou que ajuda apenas com suporte consular, não com custos hospitalares ou repatriamento em UTI aérea, que deve ser custeado pela família ou terceiros.

A família também tenta ter acesso a um programa humanitário da Latam, que oferece transporte para pacientes, mas ainda não teve sucesso.

A companhia aérea informou que não fará comentários sobre o caso.

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