Durante o depoimento da testemunha da Procuradoria Geral da República (PGR) em um processo que investiga uma suposta conspiração golpista, o procurador Joaquim Cabral, representante da PGR, mostrou-se incomodado com as interrupções feitas pelo advogado de Silvinei Vasques, acusado no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A testemunha Adiel Alcântara, ex-coordenador de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi repetidamente interrompida pelo defensor.
O advogado alegou que a testemunha estava emitindo opiniões pessoais e solicitou a intervenção do juiz auxiliar Rafael Henrique, que atua na equipe do ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi negado, com o juiz ressaltando que o depoente mantinha-se fiel aos relatos das reuniões.
Mesmo assim, o defensor continuou a interromper o depoimento e acabou sendo repreendido pelo procurador Cabral, que pediu calma e perguntou, de forma irônica, se ele não havia tomado café da manhã: “O senhor pode esperar sua vez para contestar. Tenha paciência. Não tomou café da manhã?”, questionou o procurador, que conduz as perguntas na Ação Penal nº 2693 em substituição ao procurador Paulo Gonet.
Uso da máquina pública
Silvinei está entre os réus do núcleo 2, acusado pela PGR de usar órgãos públicos, como a PRF, para atrapalhar o acesso dos eleitores aos locais de votação durante o segundo turno das eleições de 2022. A testemunha prestava depoimento ao STF nesta segunda-feira (14/7).
Adiel Alcântara relatou que, na época em que a PGR era chefiada por Silvinei, havia uma orientação clara para favorecer um lado nas abordagens feitas aos eleitores. Ele disse ter recebido uma ordem do então diretor de operações da PRF, Djairlon Henrique Moura, para intensificar a fiscalização em ônibus e vans que circulavam durante o pleito.
Além disso, Adiel compartilhou mensagens enviadas a um colega da PRF, onde expunha suas impressões sobre as instruções vindas da chefia. Segundo ele, recebeu um link de reportagem que alegava favorecimento político a eleitores de Bolsonaro, e comentou que esse tipo de denúncia era esperado devido à inclinação política do inspetor Reischak pelo ex-presidente da República.
Durante o depoimento, as constantes interrupções geraram reações do juiz responsável pela audiência e também do procurador, que tentou manter a ordem para que os fatos fossem devidamente esclarecidos.
