Os líderes da direita no Brasil enxergam que a ação dos Estados Unidos na Venezuela enfraquece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), retirando um dos seus principais argumentos para as eleições de 2026: a aproximação com o presidente norte-americano, Donald Trump. Além de capturar o presidente Nicolás Maduro, os Estados Unidos prometem uma permanência prolongada em Caracas, o que deve agravar a crise diplomática com os governos de esquerda da América do Sul.
Essa opinião é também compartilhada por apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. De acordo com aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula não poderá divulgar uma “boa relação” com Trump durante a campanha enquanto condena a intervenção militar norte-americana na Venezuela.
Logo após os primeiros ataques dos EUA, Lula criticou as ações: “Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos são uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente perigoso para toda a comunidade internacional”, declarou o líder petista.
Integrantes da direita também acreditam que a prisão de Maduro permitirá que o governo Trump avance na investigação sobre conexões internacionais do ditador venezuelano e de seu predecessor, Hugo Chávez. Eles consideram que uma delação do presidente capturado poderia implicar aliados na América Latina.
De qualquer forma, a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro entende que a Venezuela terá papel central nas eleições. Seus líderes já aconselharam a coleta de documentos, vídeos e fotos que demonstrem a ligação de Lula com Hugo Chávez, fundador do regime vigente, e seu sucessor.
EUA e Venezuela
- Os Estados Unidos iniciaram ataques às embarcações venezuelanas em setembro de 2025, sob a alegação, sem provas, de combate a grupos de narcotráfico estabelecidos na Venezuela;
- Washington mobilizou uma frota naval, incluindo o maior porta-aviões do mundo, para o mar do Caribe;
- O presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles, grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional;
- A escalada militar continuou e culminou em um ataque em larga escala, junto com uma operação para capturar Maduro e a primeira-dama, Cília Flores.
Maduro e Lula romperam relações em 2024, quando o petista deixou de reconhecer o resultado da última eleição venezuelana, marcada por suspeitas internacionais. Embora o presidente venezuelano não tenha apresentado as atas oficiais do pleito, o Conselho Eleitoral Nacional afirmou que ele venceu com 51,21% dos votos.
Benefício para Lula e Trump
A equipe do Planalto relaciona parte do crescimento da popularidade de Lula em 2025 à construção de uma relação com Trump. Em julho, os EUA impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, como retaliação a uma suposta perseguição política contra Bolsonaro e a um desequilíbrio comercial injusto.
O governo de Lula rejeitou essa imposição, considerando-a uma tentativa de intervenção política alinhada à trama que levou à prisão e condenação de Bolsonaro. Contudo, encontros na Assembleia Geral da ONU em setembro e uma reunião na Malásia em outubro transformaram a situação.
Trump e Lula passaram a dialogar, o que resultou na suspensão das tarifas e reduziu as ações do então deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O filho do ex-presidente tentou instigar uma atuação americana contra o governo petista, porém a pauta foi deixada de lado devido à situação econômica dos EUA.
Isso concedeu a Lula duas vantagens políticas: demonstrar pragmatismo na condução da economia brasileira e evidenciar o isolamento internacional de Bolsonaro.

