18.3 C
Brasília
sexta-feira, 10/04/2026

Primeira delação do caso do INSS envolve empresário central das fraudes

Brasília
nuvens dispersas
18.3 ° C
18.3 °
18.3 °
96 %
1.5kmh
46 %
sex
26 °
sáb
25 °
dom
24 °
seg
25 °
ter
25 °

Em Brasília

O empresário Maurício Camisotti é apontado como um dos principais líderes em um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele foi o primeiro a fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e confessar as fraudes no sistema, segundo informações divulgadas em 9 de abril de 2025.

Além dele, outras pessoas ligadas ao caso, como o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis, também estão negociando acordos de colaboração.

Maurício Camisotti está preso preventivamente desde setembro de 2024. Ele esteve inicialmente detido na Penitenciária II de Guarulhos, em São Paulo, mas foi transferido em março para a Superintendência da Polícia Federal da capital paulista para facilitar as negociações.

O advogado Celso Villardi, responsável pela defesa do empresário, conduziu as negociações do acordo. Villardi também defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro em processo relacionado à tentativa de golpe em 2022.

Empresário do setor de seguros e planos de saúde, Camisotti já prestou depoimento à Polícia Federal. O documento e os termos do acordo foram encaminhados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para avaliação da legalidade e voluntariedade da colaboração.

A expectativa é que a delação contribua para que Camisotti consiga prisão domiciliar. Os advogados do empresário preferiram não comentar o caso até o momento.

Impactos da delação nas investigações

A confissão de Maurício Camisotti deve abrir uma nova fase no inquérito que apura as fraudes no INSS. Ele teria capacidade para explicar como o esquema funcionava, indicando como os descontos indevidos eram aplicados e quais entidades eram usadas para organizar as cobranças ilegais.

Espera-se também que o acordo ajude a identificar servidores públicos e intermediários dentro e fora do INSS que participaram das irregularidades, além de esclarecer o papel de operadores como o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes.

Outro foco da investigação é o rastreamento de todo o fluxo financeiro do esquema, incluindo o destino dos valores desviados e o possível uso de empresas de fachada e terceiros para ocultação das evidências.

Organização central do esquema

Conforme apuração da Polícia Federal, o esquema usava entidades que se apresentavam como associações legítimas de aposentados, mas na realidade viabilizavam as cobranças indevidas em larga escala.

Aposentados e pensionistas eram associados sem autorização, mediante uso de dados pessoais, assinaturas falsas ou autorizações genéricas. A partir daí, tinham mensalidades descontadas diretamente dos benefícios do INSS.

Maurício Camisotti controlava três dessas entidades: a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap). Os dirigentes oficiais eram funcionários e parentes de executivos de empresas do grupo do empresário.

Essas entidades faturaram cerca de R$ 580 milhões somente no último ano, somando mais de R$ 1 bilhão desde 2021, segundo a investigação.

Pessoas ligadas ao grupo incluem, por exemplo, Maria Inês Batista de Almeida, que presidiu a Ambec entre 2023 e 2024 e foi identificada como auxiliar de dentista em documentos judiciais, embora trabalhasse como faxineira em empresas do empresário. Familiares como primos, sobrinhos e irmãos também são sócios em empresas e associações ligadas ao esquema.

Sobre Maurício Camisotti

  • Empresário do ramo de seguros e planos de saúde.
  • Foi preso em 12 de setembro de 2024, durante operação da Polícia Federal.
  • Identificado como sócio oculto de organização criminosa e beneficiário das fraudes previdenciárias.
  • Controla três entidades com faturamento superior a R$ 1 bilhão desde 2021.
  • As entidades arrecadaram R$ 580 milhões apenas no último ano.
  • As sedes dessas entidades investigadas ficam em escritórios comerciais em São Paulo.

Origem do caso

O escândalo das fraudes no INSS foi exposto pelo portal Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, divulgou que a arrecadação das associações com mensalidades descontadas de aposentados alcançou R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as entidades respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações.

As reportagens motivaram a abertura de inquérito pela Polícia Federal e auxiliaram as investigações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias foram utilizadas pela PF para embasar a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2024, que resultou na demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Veja Também