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terça-feira, 24/03/2026

Primeira comandante da Guarda Municipal de Vitória morre assassinada pelo ex-namorado policial

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Atenção: o texto a seguir aborda temas delicados como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você está passando por essa situação ou conhece alguém que está, ligue 180 e faça a denúncia.

Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, foi assassinada a tiros dentro de sua casa na madrugada de segunda-feira, 23, na cidade de Vitória, Espírito Santo. O principal suspeito é seu ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que após cometer o crime tirou a própria vida.

A polícia civil de Espírito Santo aponta indícios de feminicídio e suspeita que Diego Oliveira de Souza tenha planejado o homicídio. Com ele foram encontrados objetos como alicate, escada, chave de corte, faca e álcool. No quarto de Dayse foram encontradas pelo menos cinco cápsulas de munição.

Familiares da comandante informaram à polícia que Diego Souza era uma pessoa controladora, ciumenta e possessiva, e acreditam que ele matou Dayse por não aceitar o término do relacionamento.

Reconhecida em Vitória pelo combate à violência contra a mulher, Dayse Barbosa ingressou na Guarda Municipal em 2012 após aprovação em concurso público. Antes disso, formou-se em Pedagogia e realizou pós-graduação em Segurança Pública Municipal.

Em 2023, ela alcançou a posição de primeira comandante da Guarda Civil Municipal da capital capixaba, um cargo até então ocupado apenas por homens, conforme declarou a prefeitura local.

Dayse costumava compartilhar nas redes sociais sua rotina e participação em ações de segurança na cidade, além de defender o trabalho da guarda e o papel da mulher em posições de liderança.

Em fevereiro de 2024, ela publicou um texto dizendo: “Confesso que é cansativo e difícil na maioria das vezes. Mas sigo firme na missão que recebi, acreditando que estou acertando mais do que errando.” E acrescentou: “Tenho orgulho de vestir este uniforme, fazer parte desta instituição e representar a Guarda de Vitória.”

Mãe de uma menina de oito anos, Dayse, aos 37 anos, destacava que o nascimento da filha foi um dos momentos mais marcantes da sua vida. Ela perdeu a mãe aos 18 e frequentemente ressaltava a importância de estar presente na criação da filha.

Em entrevista à prefeitura de Vitória, em 2024, disse: “Ela é minha vida e tento ser um exemplo, assim como minha mãe foi para mim, mesmo não estando mais aqui.” E completou: “Mamãe é minha maior inspiração, uma mulher simples que me ensinou força, persistência e autonomia. Com essa formação, quero que minha filha cresça sabendo que pode realizar qualquer coisa.”

Entidades de segurança, políticos e colegas lamentaram profundamente a morte de Dayse Barbosa e exigiram justiça. A prefeitura decretou luto oficial de três dias, destacando que sua trajetória foi marcada por “ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública.”

Quem era Diego Oliveira de Souza?

Diego Oliveira de Souza trabalhava como policial rodoviário federal e estava lotado na delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro.

Posicionamento das instituições

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), órgão onde Souza atuava, lamentou profundamente o ocorrido e ressaltou seu compromisso com a vida, o combate ao feminicídio e à violência contra mulheres.

Fontes: Estadão Conteúdo.

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