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domingo, 04/01/2026

Primeira ação militar direta dos Estados Unidos na América do Sul

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A importante ação do governo dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, neste sábado (3/1), revelou uma nova fase para a América do Sul: pela primeira vez, os EUA realizaram um ataque militar direto a um país da região. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados, com a Casa Branca assumindo temporariamente o controle da Venezuela.

Na madrugada de sábado, helicópteros e tropas norte-americanas invadiram Caracas. Conforme relatado por Trump, Maduro e Flores foram levados ao porta-aviões USS Iwo Jima e depois transportados para Nova York, onde enfrentarão julgamento por “narcoterrorismo”. O casal chegou aos Estados Unidos no início da noite de sábado.

Durante uma coletiva em Mar-a-Lago, o presidente relacionou a intervenção à exploração do petróleo venezuelano. “Nossa presença na Venezuela está diretamente ligada ao petróleo. Essa riqueza beneficiará o povo venezuelano e os Estados Unidos recuperarão os recursos devido aos danos sofridos por nosso país”, afirmou.

Ele enfatizou que os EUA não vão gastar com a reconstrução do país, mas sim recuperar os recursos energéticos.

Trump também confirmou que os Estados Unidos administrarão a Venezuela até que uma transição de governo adequada seja definida. “Estamos no país e permaneceremos até que uma transição apropriada aconteça. Nossa função será basicamente executar e administrar a Venezuela até que isso ocorra”, declarou.

Contexto histórico e paralelos

Em 1973, nos Estados Unidos tiveram papel ativo na derrubada de Salvador Allende, então presidente democraticamente eleito do Chile e líder do Partido Socialista, e na ascensão da ditadura de Augusto Pinochet. O apoio norte-americano envolveu financiamento de campanhas de desinformação, pressão diplomática e cooperação com as forças militares locais. Esse episódio inspirou a Operação Condor, uma rede repressiva entre ditaduras sul-americanas que perseguiu opositores de esquerda durante as décadas de 1970 e 1980.

Salvador Allende faleceu em 11 de setembro de 1973 durante o golpe no Palácio de La Moneda, em Santiago, preferindo tirar a própria vida a se render. Investigações oficiais e familiares confirmaram que sua morte foi autoinfligida, encerrando especulações sobre possível assassinato pelas forças golpistas.

Outra intervenção dos EUA ocorreu em 3 de janeiro, há 43 anos, quando capturaram o ditador do Panamá, Manuel Noriega. Inicialmente apoiado por Washington, Noriega perdeu o apoio americano por alegações de envolvimento com o narcotráfico. A operação foi conduzida pelo governo de George H. W. Bush, pai do ex-presidente George W. Bush. Noriega foi preso nos EUA e cumpriu pena até 2009, sendo posteriormente extraditado para a França, onde foi condenado novamente. Retornou ao Panamá em 2011 e permaneceu em prisão domiciliar até falecer em 2017.

Exatamente 36 anos depois, em 3 de janeiro de 2026, os EUA capturaram o líder chavista Maduro e sua esposa durante a ofensiva em Caracas. Diferente do caso Noriega, o governo de Trump assumiu diretamente o controle da Venezuela, evidenciando a singularidade da operação e a retomada da hegemonia regional histórica dos EUA.

Controle americano da Venezuela

Maduro é acusado pelo governo americano de liderar o Cartel de los Soles, recentemente classificado como organização terrorista internacional. A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que ele enfrentará toda a rigidez da Justiça americana.

Antes da coletiva, foi divulgada a primeira imagem de Maduro após a captura, em que aparece algemado, segurando uma garrafa d’água, com fones de ouvido e venda nos olhos.

A ofensiva reforça a presença militar americana na região, garantindo acesso direto ao petróleo venezuelano e reafirmando os padrões históricos de hegemonia e intervenção militar da Guerra Fria para cá.

Hegemonia dos EUA na América Latina

A atual operação faz parte de um padrão histórico que remonta à Doutrina Monroe (1823) e ao Corolário Roosevelt (1904), em que os EUA se apresentam como a “polícia do hemisfério”, autorizando intervenções para proteger interesses estratégicos, conter concorrentes e limitar a autonomia de governos regionais.

As ações do governo Trump em 2025 intensificaram essa postura. Em dezembro, ele ameaçou intervir militarmente em qualquer país que produzisse ou traficase drogas para os EUA, justificando isso como combate ao “narcoterrorismo”. Essa retórica se tornou prática concreta na Venezuela, que vem sofrendo ataques a portos e destruição de embarcações suspeitas de tráfico.

Além disso, os EUA mantém 15 mil soldados no Caribe, equipados com navios e aeronaves de combate, incluindo o porta-aviões USS Gerald Ford. Desde setembro de 2025, mais de 24 embarcações identificadas com o tráfico foram destruídas e mais de 100 pessoas perderam a vida, embora provas concretas não tenham sido divulgadas.

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