CLAUDINEI QUEIROZ E PAULO EDUARDO DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Duas semanas após a Polícia Civil de São Paulo começar a investigar uma denúncia de furto na casa de Miguel Abdalla Neto, tio de Suzane Von Richthofen, que foi encontrado morto em 9 de janeiro, uma prima e namorada da vítima fez um boletim de ocorrência acusando Suzane de ficar com vários bens sem autorização.
Segundo o documento, a acusação se baseia no inventário aberto na Vara de Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro, onde Suzane admitiu ter levado e estar com os bens do espólio (carro e outros objetos), sem permissão judicial. No texto, Suzane disse ter soldado o portão da casa para proteger os pertences que acredita serem seus.
As primas disputam quem vai cuidar da herança de Miguel Abdalla Neto, avaliada em R$ 5 milhões. Suzane diz que tem esse direito por ser parente direta, enquanto Carmem Silvia Gonzalez Magnani diz que viveu em união estável com Miguel por 14 anos.
No boletim constam os itens que Suzane estaria com: um carro Subaru prata 2021, uma máquina de lavar roupas, um sofá, uma poltrona e uma bolsa com documentos e dinheiro.
A reportagem tentou contato com Suzane Von Richthofen por telefone e mensagem para comentar a acusação, mas não obteve resposta até a publicação.
O boletim de ocorrência foi registrado na terça-feira (3). O 27º DP (Campo Belo), que iniciou a investigação em 20 de janeiro, seguirá com o caso.
Suzane está em regime aberto desde janeiro de 2023, mas pode voltar a cumprir pena em regime fechado ou semiaberto, dependendo do andamento do processo.
O advogado criminalista Gustavo Henrique Moreno Barbosa explicou que o STJ não permite regressão da pena por simples acusação sem prova. O juiz da Vara de Execução Penal deve avaliar se há evidências claras para isso, e só assim pode haver mudança no regime de prisão.
Para caracterizar furto, é preciso provar que Suzane quis ficar com os bens ilegalmente. Se os bens foram apenas retirados para guarda ou proteção, sem intenção de apropriação, não há crime.
Gustavo destaca que, mesmo com a busca por justiça imparcial, não seria estranho que ocorresse regressão cautelar, dado o perfil da acusada.
Miguel Abdalla Neto foi achado morto em sua casa no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo, em 9 de janeiro. A polícia aguarda laudos do Instituto Médico Legal para esclarecer a causa da morte.
Miguel era tutor de Andreas Von Richthofen, irmão de Suzane, após o assassinato dos pais deles em 2002. Ele era irmão de Marísia, mãe de Suzane e Andreas.
Suzane, confessa do crime, foi condenada a quase 40 anos de prisão em 2006, quando tinha quase 19 anos e estudava direito na PUC-SP.
Ela obteve liberdade provisória em 2005 pelo STJ, mas foi presa novamente após uma entrevista na TV Globo, em que foi orientada a chorar para demonstrar fragilidade.
Em 2006, conseguiu prisão domiciliar provisória, que foi revogada pouco tempo depois. Em 2007, foi para o regime semiaberto e, em 2016, teve sua primeira saída temporária da prisão durante a Páscoa. Desde janeiro de 2023, cumpre pena em regime aberto.
