23.5 C
Brasília
segunda-feira, 12/01/2026

PRF vai aumentar monitoramento para identificar motoristas com mandados de prisão

Brasília
nuvens quebradas
23.5 ° C
25.4 °
23.5 °
65 %
4.6kmh
75 %
seg
27 °
ter
27 °
qua
28 °
qui
28 °
sex
29 °

Em Brasília

RAQUEL LOPES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) firmou um acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para ampliar o uso de um sistema que alerta quando identifica veículos cujos donos têm mandados de prisão em aberto.

Este acordo, firmado em dezembro, visa compartilhar informações do Alerta Brasil, um sistema que monitora veículos nas rodovias federais através de câmeras que leem placas, com guardas municipais e órgãos de trânsito de todo o país.

Em troca, a PRF terá acesso às câmeras instaladas nos municípios, buscando diminuir os “pontos cegos” e permitir o acompanhamento, por meio de um único sistema, dos carros que saem das rodovias e entram nas áreas urbanas.

Já existe o uso do Alerta Brasil por polícias estaduais, por meio de acordos anteriores.

Na prática, o sistema lê as placas e acompanha o trânsito em tempo real. Quando um veículo cujo proprietário possui um mandado de prisão ativo passa por um dos 39 mil pontos de monitoramento, o sistema verifica automaticamente a placa e cruza os dados com bases oficiais.

O sistema é abastecido com dados da PRF, do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), do Renach (Registro Nacional de Carteira de Habilitação), da Receita Federal e do Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em 2025, a PRF prendeu 5.113 pessoas com mandados de prisão em aberto, embora a corporação não informe quantas prisões foram resultado direto dos alertas do sistema.

Agora, a iniciativa visa levar essa tecnologia para municípios que não têm condições financeiras para investir no sistema. Só no ano passado, foram investidos R$ 58 milhões na manutenção do Alerta Brasil.

Segundo Nádia Zilotti, diretora de Inteligência da PRF, essa integração é essencial, pois muitos criminosos agem e se deslocam apenas dentro dos municípios ou estados, onde outras forças policiais têm jurisdição, locais onde as câmeras federais não alcançam.

“Esse acordo torna mais rápida a adesão de novas cidades ao sistema, que antes podia levar até nove meses para ocorrer e agora pode ser feito em poucos dias através de um termo de adesão”, explicou.

Com essa parceria, a inteligência da PRF poderá enviar alertas que serão tratados pelas guardas municipais.

Violência de gênero

A PRF ajustou o sistema para dar prioridade a alertas de veículos cujos proprietários tenham mandados de prisão por crimes relacionados à violência de gênero.

Em outubro, a PRF lançou a Operação Alerta Lilás, que resultou na prisão de 83 pessoas em rodovias federais com mandados de prisão por feminicídio, estupro, agressão e tentativa de homicídio, além de detenções por falta de pagamento de pensão alimentícia.

Entre os presos estava um homem de 40 anos em Vacaria (RS), na BR-116, com mandado por feminicídio. Ele havia assassinado a namorada grávida em 2009, em Caxias do Sul (RS), e estava foragido desde então.

“Em 2022, tínhamos 16 mil pontos de monitoramento, agora são 39 mil”, informou Emerson Muniz, chefe do Serviço de Soluções de Inteligência da PRF.

Com a ampliação do acesso ao sistema da PRF, a diretora de Inteligência afirma que serão usadas ferramentas para barrar o uso de robôs ou automações indevidas, bloqueando imediatamente qualquer comportamento suspeito.

Recentemente, foi revelado que dados de milhões de brasileiros podem ter sido utilizados para consultas sobre pessoas, veículos e empresas por meio de contas ligadas a forças de segurança do governo do Rio de Janeiro no Córtex, uma grande plataforma de monitoramento do Ministério da Justiça.

A PRF planeja aumentar outras parcerias institucionais, estudando uma cooperação com países da América Latina através da Ameripol (Comunidade de Polícias das Américas).

Veja Também