Laurence des Cars, presidente do museu do Louvre, anunciou sua demissão ao presidente da França, Emmanuel Macron, na última terça-feira (24/2). A decisão acontece após o museu enfrentar uma crise provocada por um roubo espetacular ocorrido em 19 de outubro de 2025, que abalou a instituição profundamente.
O governo francês ressaltou que o Louvre necessita de um “novo impulso” para avançar com projetos importantes relacionados à segurança e modernização do museu, além de implementar o programa “Louvre – Nova Renascença”. Emmanuel Macron aceitou a demissão de Laurence des Cars, elogiando sua responsabilidade neste momento delicado.
O presidente também agradeceu a atuação e o compromisso de Laurence des Cars nos últimos anos e planeja confiar a ela uma missão na presidência francesa do G7 sobre cooperação entre os grandes museus dos países participantes.
A crise no Louvre não se restringe ao roubo das joias da Coroa francesa, que revelou falhas na segurança. Funcionários têm se mobilizado por melhores condições de trabalho, o que afetou o acesso ao museu em várias ocasiões recentes. Além disso, houve o fechamento temporário de uma galeria devido a fragilidades no edifício e a detecção de uma fraude na bilheteria.
Apesar de ter ofertado sua demissão logo após o roubo, Laurence des Cars permaneceu no cargo até agora, quando finalmente sua saída foi aceita. Autoridades parlamentares, por sua vez, afirmam que o museu se transformou em um “Estado dentro do Estado”, funcionando com pouca transparência sobre a gestão dos recursos públicos.
O deputado Alexandre Portier, presidente da comissão parlamentar de inquérito sobre segurança dos museus, destacou que o roubo não foi um acidente e expôs falhas sistêmicas e a negação dos riscos no museu, que deve passar por mudanças significativas para garantir sua segurança e funcionamento adequados.

