Italo Nogueira
Folhapress
O presidente do grupo Trasmontano Saúde, Fernando José Moredo, 85 anos, está sendo acusado por funcionárias de crimes sexuais. A Justiça de São Paulo cancelou a decisão que permitia que ele continuasse no cargo.
As denúncias começaram no final de maio com pelo menos quatro funcionárias relatando os incidentes. Uma comissão interna recomendou que Moredo fosse retirado do comando do grupo.
Na segunda-feira (17), funcionários impediram que ele entrasse no Hospital Igesp, onde tem seu escritório, apesar de uma autorização inicial da Justiça na terça-feira (18) para que ele permanecesse no cargo durante o processo. Na quinta-feira (20), essa decisão foi revogada após denúncias de que ele teria ameaçado funcionários, tentado rescindir contratos e manipulado nomeações.
A defesa de Moredo afirma que ele está sendo alvo de uma armação feita pela primeira denunciante, que teria recrutado outras funcionárias para fazer acusações falsas. Moredo denunciou essa mulher na polícia por denunciação caluniosa.
Segundo o advogado Miguel Silva, essas denúncias são uma retaliação porque o presidente apontou falhas no trabalho da denunciante.
Miguel Silva também declarou que vai recorrer da decisão que retirou a permanência de Moredo no cargo, alegando que ainda não teve acesso completo à decisão judicial.
O grupo Trasmontano Saúde foi criado em 1932 para ajudar imigrantes portugueses em São Paulo. Ele administra hospitais, unidades de atendimento, um plano de saúde e uma escola de medicina. Moredo está à frente da organização há 30 anos e é responsável pelo crescimento dela.
As acusações foram feitas por gerentes, assistentes e analistas desde maio deste ano, com pelo menos quatro depoimentos registrados por uma comissão interna. Novas denúncias também chegaram ao Ministério Público.
Os relatos falam de comentários e atitudes com conotação sexual, toques indesejados e perguntas invasivas sobre a vida pessoal das funcionárias, alguns com teor racista. Segundo os relatos, o assédio ocorreu por vários anos.
A comissão interna optou por remover Moredo do cargo em maio, após analisar as denúncias.
Uma testemunha afirmou que o assédio durou quase 25 anos, levando as mulheres a evitarem reuniões individuais com o presidente e impedirem que jovens aprendizes ficassem sozinhas com ele.
O presidente teria dado apelidos como “as virgenzinhas” ou “minhas virgens lindas” para algumas funcionárias.
Algumas vítimas relataram os abusos para seus superiores, mas foram desencorajadas a continuar com as denúncias.
Na semana passada, o juiz Fernando José Cúnico, da 40ª Vara Cível, suspendeu a investigação interna para que a defesa pudesse acessar todos os documentos. Ele também afastou um membro da comissão que teria ameaçado Moredo de morte.
Na segunda-feira, a defesa informou ao juiz que Moredo foi impedido de entrar no Hospital Igesp, e a polícia foi chamada. O juiz então ordenou que o presidente pudesse continuar suas funções.
Na quinta-feira, a empresa comunicou à Justiça que, após sua volta ao hospital, Moredo teria intimidado funcionários envolvidos na apuração e tentado remover advogados. Diante disso, o juiz revogou a decisão que permitia sua permanência no cargo.
A defesa afirma que não há provas contra Moredo e que as acusações são parte de uma retaliação. Os advogados dizem que ainda não tiveram acesso aos relatos completos.
O advogado Miguel Silva afirmou não haver processo criminal contra seu cliente.
Miguel Machado, responsável pela defesa cível, declarou que o processo administrativo interno foi conduzido de forma irregular, motivo pelo qual a suspensão da penalidade contra Moredo foi revogada e a investigação interna suspensa pela Justiça.
Segundo Miguel Machado, não existem provas que confirmem as acusações e seu cliente é inocente.
