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sexta-feira, 29/08/2025

Presidente da CPMI do INSS diz que governo Lula pode sair abalado

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O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), acredita que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá sair enfraquecido após as audiências e sessões da comissão.

Em entrevista concedida na quarta-feira, Viana destacou que os descontos maiores começaram durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). No entanto, a maior parte do dinheiro desaparecido ocorreu na atual gestão.

“Grande parte dos recursos que sumiram foi durante o governo Lula. Mas isso não começou ali. Iniciou ainda no governo Dilma e aumentou durante o governo Temer. No fim do governo Bolsonaro também houve elevação dos repasses, e no governo atual a maior parcela. Naturalmente, isso desgasta o governo, sem dúvida”, afirmou.

Viana entende que o governo tem pressa para ressarcir os lesados pelos descontos do INSS, buscando assim diminuir o desgaste político. “Eles estão correndo para reembolsar, inclusive tentando envolver-se na CPMI para minimizar os impactos. Minha visão é que isso pode gerar indignação, pois nada foi feito para evitar essa grande fraude no INSS”, disse.

O escândalo envolvendo o INSS foi revelado ao público em reportagens no final de 2023, revelando a disparada na arrecadação das entidades com descontos indevidos de mensalidades de aposentados, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto milhares de processos de fraude nas filiações de segurados se acumulavam.

As reportagens impulsionaram a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e auxiliaram as investigações da Controladoria-Geral da União (CGU). Essas apurações resultaram na Operação Sem Desconto em abril de 2024, que levou ao afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Viana comentou sobre a saída de senadores da base governista da CPMI para evitar desgaste político. Segundo ele, o governo não conseguiu articular a presidência e a relatoria da comissão, o que agora garante uma investigação sem respostas superficiais.

“A comissão está estruturada para evitar que irregularidades sejam encobertas. Com minha chegada e a independência que mantenho, as tentativas de esconder fatos acabaram”, assegurou.

Ele enfatizou que não haverá proteção para nenhum envolvido, seja parlamentar ou conhecido, e que todos deverão prestar esclarecimentos caso seus nomes surjam durante os depoimentos.

Apesar das dificuldades, Viana acredita que os trabalhos não começarão esvaziados. Ele e o relator, Alfredo Gaspar, têm como objetivo claro encontrar provas e identificar os responsáveis pelo escândalo, independentemente do apoio político ou da composição da comissão.

“Pode ser que algumas votações favoreçam o governo ou a oposição, mas isso não impedirá a divulgação das informações apuradas”, concluiu.

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