Rogério Ceron, presidente do conselho de administração da Caixa e secretário do Tesouro Nacional, afirmou nesta quarta-feira (25) que o banco estatal está observando a situação do BRB (Banco de Brasília) para possíveis oportunidades, como faz com outras instituições financeiras. No entanto, ressaltou que não há negociações em andamento.
Ele negou que a Caixa esteja avaliando propostas para comprar participação ou carteiras de crédito do BRB. “Não há nenhuma ação concreta da Caixa para aquisição, participação, compra de carteira ou algo similar neste momento”, declarou.
Rogério Ceron destacou que não houve reuniões nesta semana para discutir negócios com o banco de Brasília. “Não existe nenhuma deliberação apresentada ao conselho de administração ou ao Ministério da Fazenda”, disse em entrevista em Brasília. Ele também descartou que a Caixa esteja planejando medidas de socorro ao BRB.
Segundo o presidente do conselho, a Caixa apenas monitora a situação do BRB. “Como qualquer instituição financeira, há um acompanhamento atento e uma avaliação sobre eventuais oportunidades comerciais que possam surgir, mas por enquanto não há nada concreto”, afirmou.
Ele reforçou que essa análise é feita de forma objetiva, sem usar a Caixa como instrumento de política pública, evitando qualquer impacto negativo nas finanças do banco.
“Se o BRB precisar de apoio, isso não deve ocorrer via uma instituição financeira, mas por meio de ações mais amplas, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras alternativas possíveis”, explicou.
Rogério Ceron, que também é secretário do Tesouro Nacional, mencionou que o Tesouro recebeu consultas de outras instituições financeiras interessadas nas carteiras de crédito do BRB.
“Essas operações de crédito contam com garantia da União e foram realizadas anteriormente com estados, municípios e outras instituições, que agora demonstram interesse em adquiri-las”, comentou o secretário.
Ele destacou que o BRB não pode obter crédito com aval da União devido a uma análise de risco, considerando que o Distrito Federal, controlador do banco, enfrenta desafios fiscais que dificultam o acesso a crédito sem garantia do governo.
Este mês, a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar possíveis irregularidades na gestão do BRB, relacionadas ao Banco Master. Em setembro passado, o Banco Central rejeitou a compra do Banco Master pelo BRB após analisar a capacidade financeira da instituição.
Também recentemente, o BRB apresentou ao Banco Central medidas para reforçar seu capital, caso necessário. As perdas estimadas em operações com o Banco Master podem chegar a R$ 5 bilhões, segundo o Banco Central.
Devido a essas medidas, Rogério Ceron afirmou que ainda é cedo para falar sobre uma possível federalização do BRB. “O banco e seu controlador estão buscando garantias para manter a liquidez e continuar as operações sem venda do controle acionário até o momento”, concluiu.
