As ações anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para controlar o aumento dos preços dos combustíveis podem não ser suficientes para evitar que a inflação suba no curto prazo. Economistas acreditam que o recente aumento nos preços da energia terá impacto direto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês de março.
Espera-se que o segmento de combustíveis apresente a maior alta dentro do índice, que atualmente está acumulado em 3,81%, contribuindo para elevar a inflação geral.
Diesel influencia diretamente economia
Especialistas ressaltam que o diesel é fundamental para a economia brasileira, pois é o principal combustível usado no transporte de cargas. Como aproximadamente 60% da logística do país depende do transporte rodoviário, o aumento do preço do diesel tende a elevar o custo do frete.
Este custo extra geralmente é repassado ao consumidor final, afetando os preços de alimentos, produtos industrializados e mercadorias em geral. Por isso, variações no preço do diesel costumam causar aumentos rápidos e abrangentes na inflação.
Previsões indicam pressão na inflação
Segundo análise do Banco Daycoval, o aumento dos chamados preços administrados, especialmente dos combustíveis, pode ser um dos principais fatores que pressionarão o IPCA.
De acordo com a instituição, esse cenário poderia elevar a inflação projetada para 2026 de cerca de 3,4% para até 5%, caso o aumento dos combustíveis persista.
Atualmente, a meta oficial de inflação do Banco Central do Brasil é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Conflitos internacionais pressionam preço do petróleo
A alta recente nos preços dos combustíveis está ligada ao aumento das tensões no cenário internacional, especialmente após conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A instabilidade na região do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — causou um grande aumento no preço do petróleo.
Nas últimas semanas, o preço do petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril, elevando os custos dos combustíveis em muitos países.
No Brasil, mesmo sem um reajuste oficial da Petrobras, alguns postos de gasolina aumentaram os preços nas bombas, ampliando o impacto direto no orçamento dos consumidores.
