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sexta-feira, 20/03/2026




preço do petróleo sobe e depois cai com crise no Médio Oriente

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Em Brasília

FERNANDO NARAZAKI
FOLHAPRESS

O preço do petróleo teve um aumento significativo nesta quinta-feira (19), chegando a mais de 10%, com o barril Brent, referência internacional, ultrapassando os 119 dólares. Isso ocorreu após o Irã realizar ataques a instalações de energia na região do Oriente Médio, em resposta a um ataque israelense ao campo de gás de Pars Sul.

Mais cedo, os contratos futuros do Brent chegaram a 119,11 dólares, seu nível mais alto desde 9 de março. No entanto, durante a tarde, o valor começou a cair, chegando a 105,48 dólares no final do dia, uma queda de 1,77% em relação ao fechamento anterior.

Um representante da Casa Branca afirmou que os Estados Unidos não estão considerando proibir a exportação de petróleo, fator que contribuiu para a queda do preço. Também houve informações de que Israel está ajudando os EUA a garantir a navegação segura pelo estreito de Hormuz, o que tranquilizou os mercados.

O petróleo WTI, que também teve alta e chegou a 100,44 dólares, recuou posteriormente para 93,93 dólares, queda de 1,64% no mesmo horário.

O WTI tem sido negociado com um desconto significativo comparado ao Brent, principalmente devido à liberação das reservas estratégicas pelos EUA e aos custos elevados de transporte, enquanto os ataques na região do Oriente Médio mantêm a pressão sobre o Brent.

Além disso, o preço do gás natural liquefeito (GNL) na Europa subiu cerca de 35%, com o índice TTF atingindo valores recordes desde o começo do conflito, apesar de ter recuado levemente.

PRIYANKA SACHDEVA, analista da Phillip Nova, comentou que a escalada do conflito, os ataques à infraestrutura energética e a morte de líderes iranianos indicam que a interrupção no fornecimento de petróleo pode se prolongar.

O estreito de Hormuz, rota por onde passa 20% da produção global de petróleo e gás, está quase completamente parado desde o início do conflito em 28 de fevereiro.

Ataques a campos de gás

Na quarta-feira, a QatarEnergy informou que os ataques com mísseis iranianos a Ras Laffan, um importante centro de processamento de GNL no Qatar que responde por 20% da produção mundial, causaram danos extensos.

Além disso, foram atacados o porto de Yanbu, na Arábia Saudita, que é uma rota alternativa para exportação evitando o estreito de Hormuz, paralisando suas operações temporariamente.

Refinarias importantes próximas a Riad, na Arábia Saudita, e em Haifa, Israel, também foram atacadas, assim como instalações no Kuwait e um navio nos Emirados Árabes Unidos, provavelmente por projéteis iranianos.

Esses ataques foram em retaliação ao bombardeio israelense ao campo de gás Pars Sul, setor iraniano do maior depósito mundial de gás natural, que também é compartilhado com o Qatar.

O presidente Donald Trump afirmou que Israel não atacará mais as instalações iranianas em Pars Sul a menos que o Irã ataque o Qatar, e advertiu que os EUA responderão caso isso ocorra, prometendo uma retaliação massiva caso novos ataques aconteçam.

O comando iraniano Khatam Al-Anbiya declarou que o ataque israelense foi um erro grave e prometeu respostas mais duras se novas ações forem repetidas.

Proteção a navios

Diante do aumento do preço do petróleo e dos ataques contínuos, voltou a ser discutida a proposta do Trump para criar uma coalizão internacional que escolte navios-petroleiros no estreito de Hormuz.

Seis países — Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão e Holanda — declararam-se dispostos a apoiar essa iniciativa, comprometendo-se a ajudar a proteger a passagem pelo estreito.

A Organização Marítima Internacional (OMI), ligada à ONU, sugeriu a criação de um corredor seguro para garantir a evacuação dos navios mercantes das áreas de risco, como uma medida provisória e urgente.

Reportagens indicam que o governo dos EUA avalia a possibilidade de cobrar um seguro para os navios que desejam escolta, com valores estimados entre 3% e 5% do valor total da embarcação, mas muitos proprietários ainda resistem a adquirir essa apólice.

Bolsas em queda

A incerteza gerada pela alta do petróleo fez os investidores evitarem ativos mais arriscados, levando as principais bolsas globais a registrar quedas consideráveis.

Nos EUA, o Dow Jones caiu 0,26%, o S&P 500 recuou 0,22% e a Nasdaq caiu 0,31%. Na Europa, índices como o Euro STOXX 600 e outros nas principais cidades como Frankfurt, Londres, Paris, Madri e Milão também tiveram retração.

Na Ásia, as bolsas cairam em cidades como Xangai, Shenzhen, Tóquio, Hong Kong, Seul e Taiwan.

Fed mantém política

O banco central dos EUA manteve as taxas de juros estáveis, indicando que não planeja intervir para conter os efeitos da alta dos preços da gasolina e diesel, mesmo com o aumento causado pelo conflito no Oriente Médio.

Segundo Bill Adams, economista-chefe do Comerica Bank, o Federal Reserve não irá apoiar a economia diretamente apesar da escalada dos preços dos combustíveis.




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