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domingo, 22/02/2026

Preço do chocolate sobe quase 25% antes da Páscoa

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LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Os valores do chocolate em barra e do bombom tiveram um aumento significativo para os consumidores brasileiros. Segundo o IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, esses produtos subiram 24,77% nos últimos 12 meses até janeiro.

Para comparação, o IPCA geral subiu 4,44% no mesmo período. O IPCA é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Essa alta no preço do chocolate acontece antes da Páscoa, celebrada em 5 de abril de 2026, e é principalmente resultado dos impactos tardios do aumento dos preços internacionais do cacau, afirmam os especialistas.

Dos 377 itens pesquisados no IPCA, somente cinco tiveram inflação maior que a do chocolate em barra e bombom nos 12 meses até janeiro.

Esses casos foram transporte por aplicativo (37,36%), café solúvel (27,46%), energia elétrica residencial (27,34%), serviços de fisioterapia (25,57%) e joias (25,09%).

Fábio Romão, economista e sócio da consultoria Logos Economia, explica que “essa inflação do chocolate está muito ligada ao cacau. Apesar da moderação nos preços do cacau no segundo semestre de 2025, o histórico mostra um aumento acumulado significativo, que chega ao consumidor final”.

Ele também ressalta que “as famílias estão endividadas, mas o cenário de baixo desemprego, crescimento de renda e alta formalização faz com que o preço do chocolate aumente”.

A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) confirma a pressão do cacau nos preços.

Com a quebra da safra 2023/2024 nos principais países produtores, Gana e Costa do Marfim, o preço do cacau bateu o maior nível dos últimos 50 anos, segundo a entidade.

O preço da tonelada do cacau passou de US$ 2.500 em 2022 para até US$ 12 mil no auge da crise. Recentemente, os preços têm flutuado entre US$ 5.000 e US$ 5.500, o que ainda é considerado alto pelo setor.

A Abicab informa que todo o setor monitora diariamente as variações do mercado e mantém estoques para lidar com oscilações.

A entidade se mostrou otimista para 2026, citando a menor taxa histórica de desemprego no Brasil (5,6%), a estabilidade econômica e a adaptação da indústria.

Segundo a associação, cada empresa adota estratégias para colocar o chocolate no mercado, focando em canais de venda, distribuição, preços e promoções para atingir o consumidor final.

Embora a inflação do chocolate tenha sido alta, ela já foi ainda maior recentemente, chegando a 27,12% nos 12 meses até dezembro de 2025, antes de cair para 24,77% até janeiro de 2026.

Na análise mensal, os preços do chocolate aumentaram nove meses seguidos desde maio do ano passado. O aumento registrado em janeiro (1,28%) foi o menor dessa sequência.

Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, afirma que o mercado do cacau ainda não voltou ao normal apesar da queda nos preços desde o ano passado.

Ele explica que isso levou a indústria a procurar alternativas, como o lançamento de produtos com “sabor chocolate” que contêm menos cacau.

“Essa foi uma tendência para compensar o forte aumento dos preços”, complementa.

Embora a queda dos preços do cacau possa influenciar a redução dos preços do chocolate, isso não deve acontecer imediatamente para o consumidor, destaca Gilio.

Ele observa que a cadeia produtiva do chocolate é global e envolve várias etapas, incluindo o processamento do cacau nas fábricas, o que torna a transmissão da queda de custos mais lenta que em outros produtos agrícolas.

Ele compara: “Em produtos como hortifrúti, a mercadoria vai diretamente da produção para a mesa do consumidor”.

Nas 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IPCA, o chocolate em barra e bombom tiveram altas de dois dígitos nos 12 meses até janeiro. A inflação variou de 17,22% em Aracaju a 31,85% na Grande Porto Alegre.

Feijão e arroz com preços em queda

Enquanto o chocolate ficou mais caro, dois alimentos tradicionais do prato brasileiro tiveram redução de preços: feijão e arroz.

Nos 12 meses até janeiro, o feijão-preto apresentou deflação de 28,94%, a maior redução entre os 377 itens do IPCA.

O arroz teve queda de 27,3% no mesmo período, a segunda maior redução dentro do índice.

Analistas associam essa trégua nos preços de alguns alimentos ao aumento da oferta no país.

Outros tipos de feijão estudados pelo IBGE também ficaram mais baratos: feijão-fradinho (-16,35%), feijão-carioca (-3,52%) e feijão-mulatinho (-3,03%).

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