MARCELO TOLEDO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS)
Mesmo com os preços do café mais baixos comparados a anos anteriores, os produtores de Minas Gerais e São Paulo ainda conseguem lucrar. Entretanto, eles estão preocupados com as consequências da guerra no Irã e das altas taxas de juros.
Esses tópicos foram debatidos por agricultores durante a 25ª Femagri, feira promovida pela Cooxupé em Guaxupé (MG), que ocorreu entre os dias 18 e 20 de março.
Atualmente, o preço da saca de 60 quilos varia entre R$ 1.500 e R$ 1.950, dependendo da região. Há um ano, a mesma saca chegou a ser vendida por mais de R$ 2.500, valor ajustado pela inflação.
O aumento de preços incentivou investimentos no campo, mas também aumentou casos de furtos de café ainda nas plantações.
Este ano, os preços diminuíram, impactados pelas tarifas dos Estados Unidos no ano passado e pela alta taxa de juros, que atualmente está em 14,75% ao ano. Além disso, a produção de café deve ser menor.
A Cooxupé, maior cooperativa do país, prevê exportar 4,4 milhões de sacas neste ano, cerca de 400 mil a menos que em 2025, mas espera uma melhora nos meses finais, o que pode tornar 2027 um ano positivo.
Nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 5,41 milhões de sacas, uma queda de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Cecafé.
“Com preços entre R$ 1.500 e R$ 1.800, os cafeicultores conseguem pagar suas despesas, o que é um bom valor. Há poucos anos, sonhávamos com preços em dólares mais altos, mas com os juros elevados, o risco de endividamento é grande”, explicou Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, de Nova Resende (MG).
Devido aos preços altos na safra passada, a cooperativa registrou faturamento recorde em 2025 e distribuiu a maior parte dos lucros aos associados.
O faturamento em 2024 atingiu R$ 10,7 bilhões, um crescimento de 67% sobre 2023. A distribuição aos cooperados foi de R$ 134,4 milhões, acima dos anos anteriores.
Durante a feira, o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, falou sobre os impactos da guerra no Oriente Médio e criticou a alta taxa de juros.
O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto, reduzindo para 14,75% ao ano, o primeiro corte sob a nova gestão.
Segundo Carlos Augusto, a guerra afeta a logística para importar insumos e o envio do café para outros países.
“A importação de fertilizantes sofre com o impacto, pois dependemos de nitratos do Irã. Também aumentamos as exportações para a Ásia e o Oriente Médio, então sentimos as consequências, mas acreditamos que o consumo de café continuará crescendo”, disse o presidente da cooperativa.
CLIMA FAVORÁVEL
Ao contrário dos outros fatores, o clima está sendo positivo para o setor. As chuvas estão bem distribuídas e as temperaturas são amenas.
Osvaldo Bachião Filho afirmou que as plantações estão melhores, com previsão de boa safra para este ano, permitindo aos produtores melhor participação no mercado.
A Femagri contou com 120 expositores e recebeu mais de 45 mil visitantes, principalmente agricultores familiares do sul de Minas Gerais e do interior de São Paulo. Eles realizaram mais de 10 mil orçamentos para compra de máquinas, implementos e insumos.
