FELIPE MENDES
FOLHAPRESS
As ações das companhias aéreas caíram nesta segunda-feira (9), enquanto os preços das passagens aumentaram muito devido à intensificação da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Isso fez o preço do petróleo subir bastante, gerando medo de queda nas viagens e até suspensão de voos.
Os preços do petróleo subiram mais de 15%, chegando a níveis que não se viam desde 2022. Alguns grandes produtores cortaram o fornecimento e preocupações com atrasos no transporte marítimo cresceram. Durante o dia, o preço do petróleo Brent chegou a subir quase 29%.
Essa situação aumenta a pressão sobre as companhias aéreas, que já enfrentam espaço aéreo limitado, enquanto os passageiros tentam evitar regiões conflitantes no Oriente Médio.
No Brasil, as ações da Latam diminuíram cerca de 2% no início da tarde, e as ações preferenciais da Gol caíram 0,5%.
Especialistas dizem que as companhias aéreas brasileiras sofrerão com a guerra. Francisco Lyra, presidente do Instituto Brasileiro de Aviação e sócio-fundador da consultoria C-Fly Aviation, comenta: “A margem de lucro das empresas é pequena, entre 3% e 6%. Com a alta do combustível, elas podem perder dinheiro rapidamente, levando a mudanças nas rotas, menos voos e aumento nas tarifas”.
Lyra prevê que as passagens aéreas no Brasil podem subir entre 5% e 10%, podendo chegar a 20%, dependendo de como a guerra se desenvolve. No país, três empresas dominam o mercado: Azul, Gol e Latam. A Azul recentemente saiu de um processo financeiro parecido com recuperação judicial nos Estados Unidos.
O combustível representa entre 30% e 40% dos custos das companhias aéreas brasileiras. Além disso, a alta do dólar, causada pelas tensões geopolíticas, impacta ainda mais o setor. Lyra acrescenta que as empresas que voam para o exterior enfrentam riscos cambiais maiores.
Ricardo Fenelon Junior, ex-diretor da Anac e sócio da FBR Advogados, afirma que as companhias com voos para o Oriente Médio podem perder valor. “Essa região era um grande centro de conexões e está sendo muito afetada pela guerra”, diz.
Embora ainda seja cedo para avaliar totalmente os impactos, empresas que saíram recentemente de recuperação judicial têm menos dívidas e mais caixa, o que pode ajudar a resistir às dificuldades.
Menos turistas no futuro?
Os preços das passagens aumentaram bastante. Por exemplo, um voo direto da Korean Air Lines de Seul para Londres, com partida em 11 de março, subiu de US$ 564 para US$ 4.359 em poucos dias, segundo o Google Flights.
Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia da Morningstar, explica que a demanda pode diminuir porque as viagens podem ficar caras demais para turistas e empresas podem limitar viagens de negócios por causa da incerteza.
Ela acredita que preços altos podem reduzir a procura por viagens durante grande parte de 2026.
Na Europa, companhias como Air France KLM, IAG (dona da British Airways) e Lufthansa tiveram quedas entre 4% e 6%. Nos Estados Unidos, as maiores companhias aéreas também caíram cerca de 4% nas prévias do mercado.
O combustível é a segunda maior despesa depois dos salários, representando entre 20% e 25% dos custos operacionais. Algumas companhias asiáticas e europeias protegem seus custos com contratos futuros de petróleo, mas as americanas abandonaram essa prática.
Subhas Menon, diretor da Associação das Companhias Aéreas da Ásia-Pacífico, comenta: “Com o aumento do preço do petróleo, o combustível para aviões fica ainda mais caro porque está mais escasso, elevando significativamente os custos operacionais, além do aumento nos recursos para a tripulação devido a desvios e rotas mais longas”.
Aeronaves podem parar
Analistas do Deutsche Bank alertam que, sem solução rápida, milhares de aviões podem ficar parados no chão e companhias mais frágeis podem até fechar.
Em 2005, após os furacões Katrina e Rita, um aumento rápido no combustível levou ao pedido de falência das companhias Americanas Delta e Northwest.
Desde 28 de fevereiro, início da guerra, até 8 de março, mais de 37 mil voos ligados ao Oriente Médio foram cancelados, segundo a Cirium.
Com espaços aéreos fechados, as companhias precisam mudar rotas, carregar mais combustível e fazer paradas extras para garantir segurança.
As companhias Emirates, Qatar Airways e Etihad costumam transportar cerca de um terço dos passageiros entre Europa e Ásia, e mais da metade dos passageiros entre Europa e Austrália, Nova Zelândia e ilhas próximas.
