NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
Os preços da gasolina e do diesel no Brasil ficaram muito defasados em relação ao preço internacional do petróleo nesta segunda-feira (9), após um ataque a instalações produtoras no Irã.
O barril do petróleo tipo Brent chegou a custar US$ 119,46, mas caiu para cerca de US$ 97 no início da tarde.
No começo do dia, o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras estava R$ 1,22 por litro, o que é 49% mais barato que o preço de importação.
Para o diesel, que já estava com preço defasado antes da guerra no Irã, a diferença era maior: R$ 2,74 por litro, ou 85% mais barato.
Considerando todos os vendedores de combustível no país, a defasagem é menor, porque a maior refinaria privada, Acelen, tem aumentado os preços. Nesta segunda, a Acelen anunciou o terceiro aumento no preço do diesel desde o início do conflito – para entregas fora da Bahia. Também aumentou o preço da gasolina duas vezes nesse período.
A corretora Ativa analisou que a situação aumenta a pressão sobre a Petrobras e o mercado financeiro. No entanto, o impacto imediato deve ser limitado porque a estatal decidiu não subir os preços agora.
Na última sexta-feira (6), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a empresa não vai fazer reajustes repentinos nos preços da gasolina e do diesel. Ela destacou que ainda não está claro qual será a tendência dos preços do petróleo – se o aumento é temporário ou duradouro.
No caso de outros combustíveis, como o querosene de aviação, há reajustes mensais que podem ser afetados pela alta do petróleo.
A Petrobras é uma grande exportadora de petróleo, o que permite que ela mantenha os preços internos estáveis mesmo com a volatilidade internacional, compensando com os lucros das exportações.
Pelas ações da Petrobras na bolsa, os investidores reagiram bem à alta do petróleo, com aumento superior a 4% nas ações preferenciais na B3.
Especialistas temem, porém, impactos negativos nas importações privadas de diesel, que correspondem a cerca de um quarto do abastecimento no Brasil.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) afirmou hoje que está pronta para tomar medidas para garantir que o abastecimento de diesel continue normal, negando rumores de falta do produto no Rio Grande do Sul.
A equipe técnica da ANP monitora estoques e contratos para garantir o fornecimento.
