Representantes de 28 grupos de povos e comunidades tradicionais entregaram uma carta ao presidente da 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, durante um encontro em Campo Grande (MS) na quinta-feira (26/3).
Esse ato reforça o pedido para que esses povos sejam reconhecidos, ouvidos e participem ativamente das decisões da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). Com o lema ‘Nada sobre nós, sem nós’, lideranças de várias regiões como Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e áreas costeiras destacaram que seus territórios são rotas importantes para a sobrevivência das espécies e que seus conhecimentos antigos ajudam a proteger o meio ambiente.
A quilombola Adriana Silva Soares destacou a importância da presença dessas populações nos espaços de decisão: ‘Se um animal tem um caminho para passar, é porque em nossos territórios há um pescador ou uma pessoa de comunidade tradicional cuidando desse lugar. Por isso, precisamos estar presentes nos espaços acadêmicos e de decisão, ocupando nosso espaço’.
Entre as reivindicações está a criação de um espaço permanente para a participação das comunidades tradicionais na CMS, garantindo que estejam sempre presentes nas tomadas de decisão. As lideranças falaram sobre desafios como desmatamento, poluição e grandes projetos que afetam seus territórios, reafirmando seu papel como protetores da biodiversidade por meio de práticas sustentáveis.
Na quarta-feira (25/3), uma intervenção feita pelos 28 grupos paralisou as negociações no plenário principal da COP15. Edinalda Nascimento falou às delegações sobre a importância dos conhecimentos tradicionais para conservar as espécies migratórias e garantir a sobrevivência das comunidades.
Ao receber a carta, João Paulo Capobianco reconheceu o valor das contribuições e defendeu a criação de formas para que esses povos participem ativamente: ‘Colocar as pessoas no centro significa garantir que tenham voz, papel ativo, sejam beneficiadas e façam parte das soluções. Não é pensar soluções para as pessoas, mas com as pessoas’.
O Governo do Brasil apoia o fortalecimento da participação de povos indígenas e comunidades tradicionais nas decisões internacionais, alinhando políticas inclusivas com as realidades locais para proteger a biodiversidade globalmente.

