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sexta-feira, 29/08/2025

Por que o diabetes pode causar problemas no coração?

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O diabetes é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Essa doença requer atenção constante à alimentação, uso de medicamentos e controle dos níveis de açúcar no sangue.

É amplamente conhecido que o diabetes eleva o risco de doenças do coração, como infarto e AVC. Mas por que isso ocorre?

De acordo com o cardiologista Rafael Côrtes, do Hospital Sírio-Libanês e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), esse risco resulta de vários fatores.

Altos níveis contínuos de glicose no sangue causam inflamação que prejudica os vasos sanguíneos. “A hiperglicemia prolongada favorece a criação de produtos de glicação avançada, gera estresse oxidativo e prejudica o endotélio, a fina camada que reveste os vasos”, explica.

Esses efeitos aceleram a formação de placas de gordura nas artérias, processo chamado aterosclerose. O médico compara a ação da glicose ao atrito de areia dentro de um cano, causando microarranhões nas paredes internas. Esses arranhões facilitam o acúmulo de gordura, que com o tempo pode obstruir o fluxo sanguíneo e causar infarto ou derrame.

Além da glicose alta, o diabetes geralmente vem acompanhado de outros fatores de risco como pressão alta, colesterol elevado, excesso de peso e sedentarismo. “Isso cria múltiplos perigos para o coração ao mesmo tempo”, complementa Côrtes.

Por que controlar o açúcar no sangue é vital?

O excesso de açúcar pode provocar sintomas como fadiga, sede intensa e visão turva. Manter os níveis elevados por muito tempo pode causar complicações sérias, incluindo problemas cardíacos, renais e oculares.

Diferenças entre diabetes tipo 1 e tipo 2

O risco cardiovascular varia entre os tipos de diabetes. No tipo 2, mais comum, a resistência à insulina, obesidade e outros fatores aumentam significativamente o risco.

No tipo 1, o risco está ligado ao tempo de exposição à glicose alta, pois essa forma da doença geralmente começa na infância. Mesmo com controle adequado, há um risco residual maior, especialmente em quem vive com a doença há muito tempo. A presença de hipertensão e colesterol alterado também potencializa os riscos em ambos os tipos.

Sinais de alerta e prevenção

Os primeiros sinais de problemas no coração nem sempre são evidentes. Sintomas como dor no peito, falta de ar, cansaço ao esforço, palpitações e inchaço nas pernas podem ser discretos, especialmente em pacientes diabéticos. Sintomas atípicos, como cansaço leve ou tontura, também são comuns.

Por isso, o acompanhamento com cardiologista e exames regulares são essenciais para a detecção precoce de problemas.

Controle glicêmico protege o coração?

Manter a glicemia estável é uma das melhores formas de proteger o sistema cardiovascular. Quanto mais controlados os níveis de açúcar, menor o dano às paredes dos vasos sanguíneos.

O exame da hemoglobina glicada (HbA1c) avalia o controle nos últimos meses. Côrtes explica que cada redução de 1% na HbA1c pode diminuir o risco de infarto em cerca de 15%.

No entanto, controle da glicose deve ser acompanhado do tratamento da pressão arterial e colesterol para melhores resultados.

O que fazer para diminuir o risco?

Quem tem diabetes deve seguir um plano de cuidados completo: controlar a glicose, a pressão e o colesterol, evitar o tabagismo, praticar exercícios e manter uma alimentação balanceada. Medicamentos com benefícios cardiovasculares e consultas médicas regulares são fundamentais.

A prevenção deve ser ajustada conforme o perfil de risco de cada pessoa, com acompanhamento contínuo junto a cardiologistas e endocrinologistas.

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