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Por que estamos constantemente esgotados?

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O cérebro não está bem preparado para lidar com a ênfase crescente em produtividade exigida nos ambientes modernos de trabalho

Atualmente, o papel exercido pelos e-mails, redes sociais, exigências no trabalho e stress da vida moderna que faz com que as pessoas exijam demais de si mesmas, o que acaba causando um sentimento de exaustão e fadiga extrema (iStockphoto/Getty Images)

Atualmente, o papel exercido pelos e-mails, redes sociais, exigências no trabalho e stress da vida moderna que faz com que as pessoas exijam demais de si mesmas, o que acaba causando um sentimento de exaustão e fadiga extrema (iStockphoto/Getty Images)

Você já se sentiu exausto? Com uma espécie de inércia mental e física, uma “sensação de peso” em tudo o que faz? Trata-se de estafa, exaustão ou “burnout”. Isso tem se tornado epidemia em nossa sociedade, segundo informações da rede britânica BBC.

Pesquisadores argumentam que a condição é deflagrada porque nossos cérebros não estão bem preparados para lidar com o ambiente moderno de trabalho. A ênfase crescente em produtividade – e a necessidade emocional de se mostrar competente por meio do trabalho – deixa os trabalhadores em um estado permanente de “bater ou correr”. Mas essa pressão não se limita ao trabalho. Cidades e dispositivos tecnológicos estão sempre pulsando com vida, e essa cultura de estar “24 horas ligado” pode dificultar o ato de descansar.

Sem recarregar nossos corpos e mentes, nossas baterias estão funcionando sempre em níveis perigosamente baixos. Essa necessidade de estar sempre alerta causa um pico constante de hormônios do estresse – uma avalanche que nossos corpos lutam continuamente para enfrentar.

Para descobrir se de fato a exaustão, que já “acometeu” personalidades como o papa Bento XVI e a cantora Mariah Carey, é uma doença moderna causada pelo cultura da instantaneidade ou se períodos de letargia e desmotivação são partes inevitáveis da vida, Anna Katharina Schaffner, crítica literária e historiadora da Medicina na Universidade de Kent, no Reino Unido, decidiu estudar o modo como médicos e filósofos entenderam os limites da mente humana, do corpo e da energia ao longo da história.

Em sua revisão, publicada recentemente no livro Exaustion, A History (Exaustão, Uma História, em tradução livre), Anna, que também já teve burnout, descobriu que relatos de “fadiga extrema” existem desde a época do médico romano Galeno. Até o nascimento da medicina moderna, quando médicos começaram a diagnosticar sintomas de fadiga como “neurastenia”, surgiram inúmeras explicações religiosas e astrológicas para explicar a condição.

Claramente, muitas pessoas ao longo da história se sentiram cansadas como nós, o que sugere que fadiga e exaustão sejam apenas parte da natureza humana. “A exaustão sempre esteve entre nós. O que muda na história são as causas e efeitos associados à exaustão”, afirma Schaffner à rede BBC. Na Idade Média era o “demônio do meio-dia”, e nos anos 1970 era o avanço do “capitalismo selvagem” explorando seus funcionários.

Entretanto, a autora não nega o papel exercido pelos e-mails, redes sociais e pelo stress da vida moderna que faz com que as pessoas exijam demais de si mesmas. “De muitas maneiras, tecnologias que foram feitas para economizar energia se tornaram fatores de estresse”, diz. O aumento da exigência no ambiente de trabalho também “se manifesta principalmente na ansiedade da performance, um senso de não ser bom o suficiente e de não fazer jus às expectativas”, que é outra fonte de stress e esgotamento.

Estudos recentes

Um estudo de médicos alemães mostrou que quase 50% dos médicos consultados aparentavam sofrer do chamado burnout, um distúrbio psíquico de caráter depressivo ligado ao contexto ocupacional. Os participantes relatavam sentir cansaço o dia inteiro e que só de pensar em trabalho já tinham uma sensação de esgotamento.

Um dado interessante, apontado por uma pesquisa finlandesa, mostrou que homens e mulheres lidam com o esgotamento de maneiras diferentes: os funcionários homens com o problema tinham maior probabilidade de tirar licenças médicas do que mulheres na mesma situação.

Burnout x depressão e fadiga

Dado que a depressão também tende a envolver letargia e desmotivação, alguns estudos afirmam que o burnout é apenas uma definição para a mesma condição. Inclusive, Schaffner cita um artigo em um jornal alemão que classificava o burnout como uma “versão de luxo” da depressão para profissionais de ponta.

Em geral, porém, as duas condições são geralmente consideradas distintas. “Teóricos costumam concordar que a depressão envolve uma perda de autoconfiança ou até ódio e desprezo por si mesmo, o que não é o caso no burnout, onde a imagem de si mantém-se intacta. O ódio no burnout geralmente não se volta contra si, porém mais contra a organização para a qual a pessoa trabalha, ou contra o sistema sociopolítico ou econômico mais amplo”, diz a pesquisadora.

O burnout também não deve ser confundido com a síndrome da fadiga crônica, que envolve longos e dolorosos períodos de exaustão física e mental, de ao menos seis meses, com muitos pacientes descrevendo dor física nas menores atividades.

Causas

Na verdade, ainda não sabemos o que nos dá aquele sentimento de “energia” e como ela pode se dissipar de forma tão rápida sem esforço físico. Não sabemos se os sintomas nascem no corpo ou na mente, se são reflexo da sociedade ou do comportamento. Mas estudos já afirmam que nossos sentimentos e crenças podem ter uma influência profunda sobre o funcionamento do organismo.

“É difícil dizer se uma doença é puramente física ou mental, porque na maioria das vezes se trata das duas coisas ao mesmo tempo”, diz Schaffner.

Embora atualmente a maioria das pessoas com burnout recebam a sugestão de começar uma terapia cognitiva comportamental, Anna afirma que “as curas para a exaustão dependem da própria pessoa. Você tem de saber o que tira e o que dá energia”. E aconselha: “O importante é delimitar as fronteiras entre trabalho e lazer. Tais fronteiras certamente estão sob ameaça.”

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Saúde

Vacinação contra sarampo é prorrogada e vai até 27 de novembro

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Cerca de 7% das pessoas entre 20 e 49 anos, público-alvo da campanha, imunizada contra a doença

A campanha inclui adultos, que também podem se vacinar – (crédito: YASIN AKGUL / AFP)

Em razão do surto de sarampo que ocorre no país, a Secretaria de Saúde prorrogou a campanha de vacinação contra a doença até 27 de novembro. A orientação é que os adultos que têm entre 20 e 49 anos procurem as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para receber a dose extra da tríplice viral. Até 26 de outubro, apenas 7,7% desse grupo foi imunizado.

Dos cinco casos de sarampo notificados na capital federal neste ano, quatro pertenciam a essa faixa etária. Por isso, esse grupo é o público-alvo da campanha. Só está dispensado da imunização quem já recebeu o reforço em 2020.

A dose extra é aplicada em todos os postos de saúde, independente da situação vacinal. Com isso, mesmo quem já tem imunizações registradas na caderneta pode receber a vacina. A orientação para as pessoas de 1 a 29 anos, é que tenham, pelo menos, duas doses registradas; as de 30 a 59 anos devem ter tomado a vacina pelo menos uma vez.

Entre os sintomas do sarampo estão febre, tosse, coriza, olhos avermelhados e o surgimento de manchas vermelhas pelo corpo. O quadro pode evoluir para pneumonia e infecção de ouvido. Em crianças, pode levar à morte. A doença é perigosa devido à facilidade de transmissão. A estimativa do Ministério da Saúde é que 1 infectado transmita o sarampo para outras 18 pessoas, inclusive pelo ar.

Por causa da transferência do ponto facultativo nesta sexta-feira (30/11) e do feriado de Finados na segunda (2/11), o atendimento nos postos de saúde será interrompido e volta na terça (3/11). A vacinação é a estratégia de saúde para barrar as transmissões e a circulação do vírus causador do sarampo.

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Vacina: Anvisa estuda retomada e testes da Johnson & Johnson podem voltar no DF

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Caso a Anvisa decida voltar com os ensaios clínicos da vacina Ad26.COV2.S, os cidadãos do DF poderão participar dos testes

Os testes no DF seriam abertos ao público a partir de 18 anos – (crédito: Chaideer Mahyuddin/AFP)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu novas informações da vacina Ad26.COV2.S, contra a covid-19, desenvolvida pela Johnson & Johnson, e analisa a possibilidade de voltar com os testes da imunização no Brasil e, consequentemente, no Distrito Federal.

A Anvisa interrompeu os estudos da vacina em 13 de outubro, após a farmacêutica anunciar a paralisação das testagens devido a uma reação adversa grave ocorrida em um voluntário no exterior.

Testes no DF

As vacinas estavam previstas para chegar na capital neste mês para dar início aos ensaios clínicos da fase 3, uma das últimas etapas para verificação de segurança e eficácia de uma imunização. Ao todo, 800 moradores da região central do DF e do Entorno participariam dos testes como voluntários, recebendo uma dose do produto e sendo avaliados pela equipe do L2iP Instituto de Pesquisas Clínicas.

Além disso, nas testagens da Ad26.COV2.S qualquer pessoa acima de 18 anos poderia fazer a inscrição inicial do processo, diferente dos estudos que já estão em andamento no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e recebem apenas profissionais de saúde.

Inovação

De acordo com o Instituto de Pesquisa L2iP, a tecnologia utilizada na vacina da Johnson & Johnson é bastante inovadora e promissora. Nesse tipo de metodologia, os médicos aplicam o conceito de vetor recombinante, em que se utiliza outro vírus, neste caso o adenovírus tipo 26, e se faz uma alteração na estrutura para codificar a proteína S do vírus Sars-CoV-2, do coronavírus.

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Estudo diz que ventilação é crucial para conter covid em eventos

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Servidores que atuam no combate à pandemia terão adicional de insalubridade

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Nova lei estabelece critérios para o adicional de insalubridade aos servidores públicos do DF que atuem diretamente no combate à pandemia. Norma foi publicada no DODF desta terça-feira

(crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press).

Agentes públicos do Distrito Federal que atuam diretamente na prevenção e no combate de pandemias, assim como os que atuam nos serviços essenciais durante o período da crise sanitária, passam a se enquadrar no grau máximo de insalubridade. A mudança foi regida pela Lei Complementar nº 974 publicada no Diário Oficial do DF desta terça-feira (27/10).

O projeto é de autoria da deputada distrital Arlete Sampaio (PT) e foi promulgado pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Rafael Prudente (MDB).

Segundo o texto, para os agentes públicos que atuem diretamente na prevenção e no combate de pandemias declaradas pelo poder público se aplicará o grau máximo de insalubridade, assim como para os agentes públicos que atuem em serviços essenciais pelo tempo que perdurar a pandemia.

Também aplica-se o grau máximo de insalubridade aos servidores da carreira de Auditoria de Atividades Urbanas, de Atividades de Defesa do Consumidor do Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon) e de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) que atuem em serviços essenciais enquanto durar o estado de calamidade pública.

Servidores da saúde que atuam diretamente na prevenção e no combate de epidemias e doenças contagiosas, durante período de emergência em saúde pública também se enquadram nas novas regras.

Insalubridade

O adicional de insalubridade é um direito de trabalhadores que são trabalham expostos a agentes que podem ser nocivos à saúde. Estes recebem um percentual do salário de acordo com o grau de insalubridade estabelecido por lei. Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho, há três graus: mínimo, médio e máximo.

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Resposta para tratamento da covid-19 pode estar em recuperados

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Terapia com foco nas células T pode ajudar pacientes com imunidade baixa na luta contra o novo coronavírus

Coronavírus: (Getty Images/Getty Images)

As células T de pessoas recuperadas do novo coronavírus podem servir como um tratamento potente para a doença. Um novo estudo publicado nesta segunda-feira, 26, aponta que os linfócitos reativos que ajudam o organismo na defesa de infecções encontrado em pessoas que já se curaram da covid-19 pode ajudar pacientes imunocomprometidos a criar uma resposta imune antes de uma exposição ao vírus, o que os protegeria de quadros mais sérios da infecção.

Essas células foram encontradas principalmente em doadores de sangue que tiveram casos confirmados do SARS-CoV-2 e que os linfócios diretos se adaptaram para atacar partes específicas das proteínas virais. A descoberta de que as células T estão atacando com sucesso uma membrana da proteína do vírus pode ajudar também os desenvolvedores de vacinas a pensarem em formas diferentes de fazer uma imunização para o vírus.

“Descobrimos que muitas pessoas que se recuperaram da covid-19 têm a célula T que reconhecem e atacam as proteínas virais da doença, o que dá a elas imunidade porque essas células estão treinadas para lutar”, explica Michael Keller, um dos autores do estudo e pediatra no Children’s National Hospital, nos Estados Unidos.

O próximo passo dos pesquisadores é conseguir uma aprovação do Food and Drug Administration (órgão americano análogo a Anvisa) para realizar a primeira fase de testes de células T específicas da covid-19 para induzir e melhorar a resposta imune de indivíduos vulneráveis.

“Isso sugere que adotar a imunoterapia usando células T convalescentes para atacar regiões do vírus pode ser um jeito eficaz de proteger pessoas vulneráveis, em especial aquelas que têm o sistema imunológico comprometido por tratamentos contra o câncer ou que fizeram transplantes recentemente”, continua Keller.

 

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Covid-19: governo reconhece calamidade pública na Bahia e no Ceará

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Medida facilita acesso a recursos da União

Covid-19: Fiocruz amplia capacidade nacional de testagem

O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública na Bahia e no Ceará em razão da pandemia da covid-19. A portaria da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil foi publicada hoje (26) no Diário Oficial da União.

O reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo governo federal reduz a burocracia e facilita, a estados e municípios, o acesso aos recursos da União para ações de socorro.

Balanço divulgado neste domingo (25) pela Secretaria de Saúde da Bahia mostra que o estado registrou 691 novos casos da covid-19, nas últimas 24 horas. No total, o estado acumula 344.705 casos, desde o início da pandemia. O boletim traz ainda o registro de 22 novas mortes, totalizando 7.475 óbitos no estado.

No Ceará, o boletim do Ministério da Saúde, divulgado ontem (25), aponta 872 novos casos e dois óbitos registrados nas últimas 24 horas no estado. O estado acumula 270.264 casos, e as mortes já chegam a 9.248.

Agencia Brasil

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sábado, 31 de outubro de 2020

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