No veículo do soldado, havia uma garrafa de cerveja vazia; militares que atenderam ocorrência não fizeram teste do bafômetro no colega. Carlos Roberto de Carvalho Neto bateu no carro da família do menino, na EPNB.
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O acidente foi durante a madrugada. O carro conduzido pelo policial bateu no veículo da família da criança que, com o impacto do choque, capotou. Lucas Cavalcante Andrade morreu no hospital e os pais dele ficaram feridos.
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Carro em que família estava capatou com o impacto da batida — Foto: TV Globo/Reprodução
‘Lapso temporal grande’
Segundo o delegado Diogo Carneiro de Oliveira, da 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas, houve um “lapso temporal grande” entre o momento do acidente e o exame de embriaguez feito pelo Instituto Médico Legal (IML). Os bombeiros foram acionados às 1h, porém, o militar só foi passou por avaliação médica por volta das 5h.
Conforme o delegado, “apesar de o exame ter dado negativo, há outros meios que podem provar a ingestão de bebida alcoólica”. Uma foto divulgada pelo policial nas redes sociais (veja abaixo), mostra que ele estava em um bar por volta das 19h de segunda-feira (15).
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Motorista que causou acidente estava em bar horas antes, mostra registro em rede social — Foto: Instagram/Reprodução
O delegado informou ainda que os pais das crianças e os policiais envolvidos na ocorrência serão ouvidos. Um inquérito foi aberto para apurar a condução da ocorrência.
Versões
Na delegacia, o soldado Carlos Roberto de Carvalho Neto contou que estava em Samambaia, na casa de um amigo, e que ia para casa, na região do Cruzeiro. O militar disse que, na EPNB, foi fechado por um veículo e que, ao frear, bateu no carro da família de Lucas.
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Corpo de Bombeiros na EPNB após acidente, no DF — Foto: TV Globo/Reprodução
O PM disse que, devido à “rapidez dos fatos”, não saberia informar qual veículo “fechou” o carro dele e nem se a batida foi na traseira ou na lateral do outro veículo. Carlos disse ainda que desceu do automóvel para socorrer as vítimas.
Lucas voltava do hospital na hora do acidente
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/p/Q/nhgbaeScu8HIae6Kj0Cw/vitima-lucas.jpg)
Lucas Cavalcante Andrade morreu após acidente na EPNB, no DF — Foto: Arquivo pessoal
Um tio de Lucas disse à reportagem do TV Globo que o sobrinho passou mal à noite, e que voltava do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) no momento do acidente. De acordo com o homem, que se identificou como Wilton, os pais da criança estão em estado de choque.
O menino era o filho mais novo do casal e sonhava em ser médico. O tio contou que Lucas era muito estudioso e que nesta terça-feira (16) iria tirar fotos para a formatura do colégio.
Segundo Wilton, o pai de Lucas contou que não viu o carro do soldado porque o veículo do policial estava com os faróis apagados. “Quando ele percebeu o carro, já foi na hora do impacto”, afirmou.
O corpo de Lucas será velado nesta quarta-feira (17), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O sepultamento está marcado para às 15h.
Bafômetro e liberação
O PM não se feriu e só foi conduzido para a delegacia uma hora e meia após o acidente. Durante esse tempo, o teste de alcoolemia não foi realizado porque, segundo a Polícia Militar, o exame seria feito na delegacia.
No entanto, na delegacia, o soldado também não fez o teste. Somente por volta das 5h, mais de 4 horas depois da batida, o soldado foi levado para o Instituto Médico Legal (IML). Os exames clínicos não constataram embriaguez – Carlos Roberto de Carvalho Neto foi avaliado por um médico e não foi feita coleta de sangue.
Segundo a Polícia Civil, diante do exame negativo e por ter ficado no local do acidente, o PM foi liberado. Em nota, a PM informou que o militar foi autuado por se recusar a fazer o teste do bafômetro.
“Os policiais levaram o condutor do veículo à 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas. Lá os policiais emitiram o laudo de recusa e informaram ao delegado de polícia, que solicitou o encaminhamento do motorista ao Instituto Médico Legal’, informou a PMDF.