Um soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) está sendo investigado após emitir nove multas para um veículo que permanecia estacionado em dois locais diferentes no Distrito Federal. As autuações levantam dúvidas, pois não indicam os horários ou as circunstâncias que motivaram as penalidades.
Segundo informações obtidas, o carro – um Chevrolet Onix da família – recebeu quatro multas em 25 de junho, no Setor Leste da Estrutural, e outras cinco em 31 de julho, na Rua 3 de Vicente Pires. Todas as infrações foram registradas pelo mesmo policial, que usou como justificativa a presença de um “agente desembarcado”.
Não há detalhes nos autos sobre as irregularidades específicas constatadas. Por exemplo, acusações relacionadas ao uso de som em volume ou frequência não autorizados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) foram aplicadas, mas não há descrição sobre quais equipamentos estariam proibidos, defeituosos ou em desacordo com as normas. Além disso, as multas foram registradas em blocos no mesmo minuto, concentradas exclusivamente nos dois endereços ligados à família, o que não condiz com uma fiscalização de rotina.
André da Mata, advogado do casal, destaca que as imagens de câmeras de segurança e registros mostram o veículo estacionado durante as infrações, o que torna as autuações questionáveis. Em uma das datas, as câmeras do condomínio registraram a via vazia no exato minuto da autuação, com o carro saindo da garagem algumas horas depois.
O casal relata que não houve abordagem, identificação do condutor ou assinatura durante as multas. Eles acreditam que se trata de uma perseguição sistemática, possivelmente relacionada a uma disputa de herança na família. O valor das multas soma R$ 2.050,45, além de 47 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), quantidade suficiente para suspender o direito de dirigir.
O caso foi registrado na 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) e encaminhado para a Corregedoria da PMDF, ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e ao Departamento de Trânsito (Detran) para investigação.
A PMDF informou, por meio do Centro de Comunicação Social, que o caso está sob análise da Corregedoria e que as apurações seguem rigorosamente os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade. A corporação reforça que não admite condutas contrárias à legislação ou à ética administrativa.
