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Brasil

Policiais Civis Falsificavam Apreensões e Apoiavam Contrabando em São Paulo, Segundo MP

Foto: Reprodução/ MP-SP

ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS

O Ministério Público está investigando um grupo de policiais civis que supostamente recebia dinheiro ilegal para ajudar contrabandistas. Esses policiais fingiam apreender mercadorias ilegais, mas na verdade escoltavam as cargas de contrabando usando carros da própria polícia.

O caso levou a uma operação policial na sexta-feira (28), que investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A ação contou com a participação do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil.

Sete pessoas foram presas preventivamente, quatro delas são policiais civis. Foram feitas buscas em 18 locais, incluindo delegacias em Embu das Artes, Santana de Parnaíba e o 2º distrito policial de Cotia.

A investigação começou em dezembro de 2024 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) após a prisão de Thiago Marcel Magnabosco pela Polícia Federal. Ele seria o chefe de uma quadrilha especializada em contrabando e guarda mensagens que ligam o esquema a policiais civis em São Paulo.

Em junho de 2024, um caminhão com cerca de R$ 600 mil em produtos contrabandeados foi parado pela Polícia Civil, mas ficou sob custódia de dois policiais, Bruno Moreno dos Santos e José Adriano da Silva Nishi, que cobraram R$ 400 mil para liberar a carga. Ambos estão presos preventivamente, assim como outros policiais citados na investigação, Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo.

O Gaeco relata que casos similares ocorreram em julho e agosto, com envolvimento do advogado Sidiclei da Costa Almeida, acusado de ser intermediário nas propinas.

Em uma apreensão, agentes recolheram apenas 250 celulares, embora a carga tivesse mais de 4 mil itens, simulando uma operação legal.

Em outra situação, um caminhão carregado de aparelhos contrabandeados foi apreendido na rodovia Castelo Branco (SP-280) e liberado dias depois após o pagamento de cerca de R$ 700 mil em propina. Policiais Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo participaram da escolta da carga.

Os promotores justificam que, além de não cumprir suas funções, os policiais aceitaram propina para garantir que a mercadoria chegasse a São Paulo com escolta, evitando a fiscalização da Polícia Rodoviária Federal.

O investigador Vagner Lima foi afastado após ser descoberto que ele monitorava um caminhão suspeito com o sistema policial, indicando favorecimento.

O Gaeco estima que pelo menos R$ 2,3 milhões foram pagos como propina aos envolvidos, que traíram seu dever público.

A decisão judicial que autorizou a operação destaca a gravidade do caso, que pode abalar a confiança nas instituições que combatem o crime, ressaltando evidências de que os investigados formavam uma organização criminosa e cometeram corrupção e lavagem de dinheiro.

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