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sábado, 31/01/2026

Polícia mata três por dia no trimestre mais violento de SP

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TULIO KRUSE
FOLHAPRESS

Durante o ano de 2025, policiais civis e militares em São Paulo foram responsáveis pela morte de 834 pessoas, conforme dados divulgados pelo governo estadual. Essa é a terceira alta seguida na letalidade policial, reversão de uma queda observada no início do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O último trimestre do ano passado teve o maior número de mortos pela polícia em 25 anos, com 242 vítimas fatais causadas por policiais militares em serviço, número recorde desde 2001.

Quando se considera também policiais civis e agentes fora de serviço, o total de mortes no trimestre chega a 276, média de três mortes diárias, a maior desde 2015, quando a contagem passou a incluir essas situações.

O índice anual de mortes por ação policial é o mais alto desde 2019, que registrou 867 mortes, no primeiro ano da gestão de João Doria (ex-PSDB).

Esses dados incluem mortes cometidas tanto durante o serviço quanto em folga pelos policiais.

Apesar de não ter ocorrido nenhuma grande operação policial em 2025 comparável às de 2023 e 2024 na Baixada Santista, o ano foi marcado por casos amplamente divulgados em que policiais atiraram contra pessoas desarmadas e sem oferecer perigo, filmados pelas câmeras corporais: um morador de rua em junho, um suspeito com as mãos na cabeça em Paraisópolis em julho, e um assaltante rendido em Moema em dezembro.

O programa Olho Vivo, que equipou a Polícia Militar com câmeras corporais desde 2020, teve momentos de queda nas mortes, mas em 2025 o número voltou a subir.

Em 2025, os policiais militares em serviço causaram 700 das 834 mortes, representando 84% do total.

O ouvidor das polícias de São Paulo, Mauro Caseri, chamou o aumento da letalidade de “assustador” e pediu maior transparência sobre estas ocorrências, especialmente sobre o uso das câmeras corporais, que segundo ele são usadas por apenas metade das câmeras adquiridas.

Com cerca de 60 mil policiais nas ruas diariamente, apenas 12,5% estariam equipados com câmeras, o que é insuficiente para um controle efetivo.

Caseri defende também o uso de armas menos letais, como pistolas de eletrochoque, para reduzir mortes.

Ele afirmou que letalidade não é sinônimo de eficiência, e que a polícia deve focar em prender e levar os criminosos à justiça, não em matar.

Para o pesquisador Leonardo Silva, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, discursos do governo no início da gestão podem ter incentivado uma postura permissiva com excessos policiais.

Silva ressaltou a necessidade de maior controle externo da polícia, envolvendo Ministério Público e o sistema judicial, para enfrentar o aumento da letalidade.

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