TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
Durante o ano de 2025, policiais civis e militares em São Paulo foram responsáveis pela morte de 834 pessoas, conforme dados divulgados pelo governo estadual. Essa é a terceira alta seguida na letalidade policial, reversão de uma queda observada no início do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O último trimestre do ano passado teve o maior número de mortos pela polícia em 25 anos, com 242 vítimas fatais causadas por policiais militares em serviço, número recorde desde 2001.
Quando se considera também policiais civis e agentes fora de serviço, o total de mortes no trimestre chega a 276, média de três mortes diárias, a maior desde 2015, quando a contagem passou a incluir essas situações.
O índice anual de mortes por ação policial é o mais alto desde 2019, que registrou 867 mortes, no primeiro ano da gestão de João Doria (ex-PSDB).
Esses dados incluem mortes cometidas tanto durante o serviço quanto em folga pelos policiais.
Apesar de não ter ocorrido nenhuma grande operação policial em 2025 comparável às de 2023 e 2024 na Baixada Santista, o ano foi marcado por casos amplamente divulgados em que policiais atiraram contra pessoas desarmadas e sem oferecer perigo, filmados pelas câmeras corporais: um morador de rua em junho, um suspeito com as mãos na cabeça em Paraisópolis em julho, e um assaltante rendido em Moema em dezembro.
O programa Olho Vivo, que equipou a Polícia Militar com câmeras corporais desde 2020, teve momentos de queda nas mortes, mas em 2025 o número voltou a subir.
Em 2025, os policiais militares em serviço causaram 700 das 834 mortes, representando 84% do total.
O ouvidor das polícias de São Paulo, Mauro Caseri, chamou o aumento da letalidade de “assustador” e pediu maior transparência sobre estas ocorrências, especialmente sobre o uso das câmeras corporais, que segundo ele são usadas por apenas metade das câmeras adquiridas.
Com cerca de 60 mil policiais nas ruas diariamente, apenas 12,5% estariam equipados com câmeras, o que é insuficiente para um controle efetivo.
Caseri defende também o uso de armas menos letais, como pistolas de eletrochoque, para reduzir mortes.
Ele afirmou que letalidade não é sinônimo de eficiência, e que a polícia deve focar em prender e levar os criminosos à justiça, não em matar.
Para o pesquisador Leonardo Silva, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, discursos do governo no início da gestão podem ter incentivado uma postura permissiva com excessos policiais.
Silva ressaltou a necessidade de maior controle externo da polícia, envolvendo Ministério Público e o sistema judicial, para enfrentar o aumento da letalidade.
