A Polícia Civil do Distrito Federal está investigando a morte de três pacientes na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Até agora, a polícia descartou que as mortes foram por eutanásia, decisão médica ou autorização das famílias.
A investigação confirma que as famílias não permitiram o uso das substâncias que causaram as mortes, e que não houve decisão médica para aliviar o sofrimento dos pacientes. A motivação para as mortes ainda não foi descoberta.
Entre as hipóteses avaliadas pela polícia estão interesses financeiros, atuação em grupo, comportamento psicopático e possíveis ligações ideológicas ou simbólicas. No entanto, nenhuma dessas hipóteses foi comprovada, pois faltam provas concretas.
A polícia reforça que todas as possibilidades estão sendo analisadas cuidadosamente durante a investigação.
Sobre o caso
A investigação começou após o hospital comunicar à polícia, na véspera do Natal, a suspeita de homicídios na UTI. A suspeita surgiu com base no trabalho da comissão de óbito, que analisa mortes para melhorar os protocolos hospitalares.
No dia 19 de novembro, dois pacientes da UTI morreram em situações incomuns, o que despertou suspeitas. Imagens das câmeras de segurança mostraram comportamentos estranhos de três técnicos de enfermagem. Em 1º de dezembro, uma terceira morte parecida foi registrada, aumentando as suspeitas.
Quem está sendo investigado e como agiam
Um técnico de enfermagem de 24 anos é apontado como principal responsável pelas injeções dadas às vítimas. Segundo a apuração, ele usava o sistema do hospital logado com o nome de um médico para alterar prescrições, retirar medicamentos na farmácia, preparar e aplicar as substâncias nas veias dos pacientes. Em pelo menos um caso, ele teria aplicado desinfetante mais de dez vezes após o fim do medicamento.
Duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, também são investigadas por participação. Uma ajudava a retirar o medicamento e ambas estavam presentes quando as injeções foram aplicadas.
Perícias feitas pelo Instituto Médico Legal e pelo Instituto de Criminalística comprovaram que os produtos usados, embora comuns em hospitais, podem causar parada cardíaca e morte se usados fora das normas médicas.
Prisões
Os três suspeitos foram presos temporariamente em Brazlândia, Ceilândia e Águas Lindas. As prisões aconteceram durante a Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa. O caso corre em segredo de justiça, o que impede a divulgação dos nomes dos investigados.
As vítimas
Até o momento, as vítimas são: uma professora aposentada de 75 anos, um servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) de 63 anos e um jovem de 33 anos, que deixou esposa e filha de cinco anos. As informações foram passadas pela Polícia Civil do Distrito Federal.
