ANA PAULA BRANCO
FOLHAPRESS
A Polícia Federal iniciou nesta quarta-feira (25) a Operação Cliente Fantasma, que cumpriu mandados de busca e apreensão na empresa financeira BMP, antiga BMP Money Plus, em São Paulo. A empresa está sendo investigada por facilitar a lavagem de mais de R$ 25 bilhões, envolvendo recursos ligados a grupos criminosos.
A BMP declarou estar colaborando totalmente com as autoridades, oferecendo todas as informações necessárias sobre operações antigas de ex-clientes sob investigação. A empresa continua funcionando normalmente.
A BMP oferece suporte bancário para que outras empresas forneçam serviços como conta digital, Pix e cartões, sem serem bancos tradicionais.
Foram cumpridos três mandados de busca expedidos pela Justiça Federal, nas cidades de São Paulo e Barueri. As buscas ocorreram na sede da empresa na avenida Paulista, e nas residências do presidente do banco e do responsável pelo setor de compliance.
Segundo a Polícia Federal, apesar de autorizada pelo Banco Central a operar, a empresa permitia movimentações financeiras sem identificar corretamente os usuários, além de não informar operações obrigatórias aos órgãos de fiscalização.
Essa falha possibilitou que certos clientes permanecessem protegidos de quebras de sigilo bancário e bloqueios judiciais, dificultando o rastreamento de valores e a investigação de crimes.
O inquérito também apontou que a empresa não enviava comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ajudando a esconder a origem ilegal dos recursos movimentados.
As investigações revelam a existência de clientes ‘invisíveis’ nos sistemas de controle, facilitando o trânsito de grandes volumes de dinheiro sob suspeita.
Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao regulador e lavagem de dinheiro.
Essa ação é continuação de investigações anteriores da Polícia Federal, que continuam para identificar todos os envolvidos e dimensionar o total das fraudes.
Fraudes relacionadas ao Pix
Quando ainda se chamava BMP Money Plus, a instituição foi mencionada em casos de fraudes no Pix entre junho e setembro do ano passado, que causaram prejuízos estimados em R$ 1,5 bilhão. Em um caso, R$ 541 milhões foram desviados a partir da BMP Money Plus em 30 de junho.
Parte do dinheiro foi transferida para contas em participantes indiretos do sistema Pix. A fintech Soffy, que recebeu cerca de R$ 270 milhões desse montante, teve suas operações no Pix suspensas. A empresa alegou que a conta que recebeu os valores pertencia a um cliente parceiro, não a ela própria.
Como resposta às fraudes, o Banco Central endureceu as regras para empresas que operam no Pix com contratos junto a instituições autorizadas. Em dezembro, informou que 31 instituições precisam se adequar às novas normas até 4 de março, sob risco de exclusão do serviço; outras 39 já estariam em conformidade.
As novas regras exigem o envio de formulários completos de avaliação de risco, com detalhes sobre movimentações e valores, além da criação de métodos para identificar falhas de segurança. O Banco Central também tornou obrigatório o Mecanismo Especial de Devolução (MED) a partir de fevereiro de 2026 e ampliou o monitoramento de transferências suspeitas.
A autoridade monetária está definindo critérios para classificar ‘suspeita fundada de fraude’ e desenvolvendo indicadores para detectar golpes com base em análise de dados.

