Durante uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), foram descobertos quatro grupos especializados na fabricação ilegal de anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados que atuavam em várias regiões do Brasil. O delegado Rodrigo Carbone, que conduz a Operação Narciso, informou que esses núcleos pertencem a grandes organizações criminosas que produziam esses medicamentos de forma clandestina, utilizando laboratórios improvisados.
Os laboratórios clandestinos estavam localizados em São Paulo, Goiás, Distrito Federal, Paraíba, Foz do Iguaçu (Paraná) e Paraguai. Entre os principais envolvidos estão André Luiz de Amorim Junqueira e Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya. A operação, realizada em diversos estados, resultou na prisão de cerca de 30 pessoas e no cumprimento de 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão.
Além das prisões, foram bloqueados R$ 32 milhões em ativos financeiros e apreendidos veículos de luxo e estabelecimentos comerciais. O grupo usava uma complexa rede, incluindo donos de academias, lojas de suplementos, nutricionistas, biomédicos, veterinários e influenciadores digitais, para disfarçar a comercialização dos produtos ilegais. O esquema também mantinha conexão com a produção clandestina no Paraguai.
A produção era realizada de maneira artesanal em locais improvisados como fundos de quintal e cozinhas residenciais. Os produtos continham ingredientes perigosos e substâncias ocultas como clembuterol, sibutramina, fluoxetina, bupropiona e diuréticos, que podem causar graves problemas de saúde, incluindo reações alérgicas, infecções, embolias, tromboses e até a morte.
Para ocultar a origem do dinheiro ilícito, os criminosos utilizavam mecanismos de lavagem, como casas de apostas online, empresas laranjas, doleiros e fachadas comerciais como restaurantes e lojas de suplementos. O grupo ostentava um padrão de vida elevado, com viagens internacionais, moradia em condomínios de alto padrão e uso de veículos de luxo.
O marketing dos produtos era impulsionado por redes sociais e patrocínios estratégicos, com apoio de personal trainers e influenciadores digitais que promoviam as substâncias mesmo com os riscos evidentes à saúde dos consumidores. A organização criminosa utilizava também funcionários dos Correios, gráficos e familiares para facilitar a movimentação financeira e logística.
As investigações começaram na Operação Béquer, desencadeada em fevereiro do ano anterior, e revelaram uma ampla rede que produzia e distribuía anabolizantes sob marcas clandestinas, utilizando fornecedores, gráficas e motoboys para manter o esquema em funcionamento.
