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domingo, 31/08/2025

Polícia Federal e Inteligência trocam farpas por caso da Abin paralela

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Servidores da Agência Brasileira de Inteligência manifestaram críticas publicamente contra a Polícia Federal relacionadas ao episódio da Abin paralela. Segundo a União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis), a Associação Nacional dos Delegados da PF teria protegido agentes implicados no escândalo. A disputa gira em torno da ocupação de cargos estratégicos no órgão por policiais federais.

A Intelis ressaltou que a presença dos delegados causou lembranças negativas, mencionando três agentes investigados: Alexandre Ramagem, atualmente deputado pelo PL-RJ e investigado no inquérito da “Abin paralela”; Paulo Lacerda, envolvido no caso Satiagraha; e o atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa, acusado de obstrução da Justiça. Alegações de assédio por parte da PF também foram levantadas.

Por outro lado, a ADPF defendeu que tal visão é equivocada e baseada em generalizações injustas, destacando a competência técnica e a experiência dos delegados federais em funções complexas, tanto investigativas quanto administrativas.

A associação frisou ainda o desempenho exemplar dos delegados em papéis de liderança em órgãos federais, estaduais e internacionais, citando o atual Secretário-Geral da Interpol, que veio da Polícia Federal, como prova do prestígio da carreira. Também destacou a importante presença dos delegados em Secretarias de Segurança Pública e em cargos estratégicos nos governos federal, estadual e no Distrito Federal.

Conflito alcança o Planalto

Uma reunião reservada da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional, realizada na última quarta-feira (2/7), com o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, terminou com desgaste para o Planalto. Representantes da Intelis entregaram material a deputados e senadores apontando a deterioração da agência e criticando o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sugerindo sua convocação.

Os servidores apresentaram várias queixas, entre elas: exposição de quadros não vinculados à Abin paralela que colocaram vidas e carreiras em risco; vazamento de técnicas sensíveis de inteligência vinculadas à crise de Itaipu; o órgão enfrenta o menor orçamento da sua história; déficit crítico de pessoal, com até 80% dos cargos vagos; necessidade de regulamentação legal para suas atividades; permanência do diretor mesmo após indiciamento pela Polícia Federal; e falta de apoio da Casa Civil.

A Intelis solicitou ao Congresso que revisite a legislação que regula a Abin e convoque o ministro Rui Costa. A controvérsia no governo Lula envolvendo a agência teve início em março de 2023, quando a Abin passou a ser subordinada à Casa Civil, rompendo com a estrutura que a vinculava ao Gabinete de Segurança Institucional desde 2016.

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