FRANCISCO LIMA NETO e PEDRO S. TEIXEIRA
FOLHAPRESS
A Polícia Civil de São Paulo desmantelou um grupo responsável por golpes digitais em um prédio na avenida Brigadeiro Faria Lima, importante centro financeiro do Brasil. O alvo principal eram idosos, que eram enganados e ameaçados para pagar dívidas que não tinham, sob risco de terem aposentadorias bloqueadas ou bens penhorados.
Quatro mulheres identificadas como líderes da quadrilha foram presas, suspeitas de aplicar fraudes que prometiam limpar o nome de pessoas com dívidas em troca de pagamento, promessa essa que nunca era cumprida.
Além delas, outros dez suspeitos foram detidos.
Batizada de Operação Título Sombrio, a ação cumpriu mandados de prisão por associação criminosa expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Para esconder as atividades ilegais, uma empresa de cobrança legítima funcionava no mesmo local, segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Uma equipe cuidava das cobranças verdadeiras, enquanto outra aplicava os golpes.
O esquema começava com o envio em massa de mensagens falsas simulando ordens judiciais e bloqueios de CPF. Quem respondia era conduzido a atendentes que se passavam por setores de cobrança, jurídicos ou do Judiciário, fazendo ameaças para forçar o pagamento da suposta dívida.
O local contava até com um pequeno data center, indicando a existência de um servidor dedicado para a operação criminosa.
As quatro mulheres, com idades entre 27 e 39 anos, comandavam a central e atuavam como gerente comercial e supervisoras da fraude. Elas foram presas e liberadas após pagamento de fiança.
Outros dez envolvidos foram levados à delegacia. O caso está registrado como associação criminosa na 4ª Delegacia da DCCiber.
Segundo o Deic, os criminosos estruturaram uma organização com várias empresas criadas, que compartilhavam os mesmos sócios, endereços e dados operacionais e contábeis.
Os policiais também realizaram buscas em outra base da quadrilha em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
Golpes oferecendo a limpeza do nome de pessoas endividadas são comuns nas redes sociais e aplicativos como WhatsApp. A Serasa e o SPC alertam que nunca oferecem esse tipo de serviço de forma ativa nessas plataformas. Quem precisar do serviço deve buscar diretamente pelas empresas em seus canais oficiais, como telefone, aplicativo ou site.
