SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Uma operação realizada na manhã desta quarta-feira (25) acabou com um esquema de fabricação ilegal de suplementos alimentares em Arcos, cidade no centro-oeste de Minas Gerais, informou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Os produtos vendidos pela internet, através de marketing digital e afiliados, eram distribuídos para todo o país. A ação foi feita pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), com participação da Anvisa, das polícias Civil e Militar, da Vigilância Sanitária estadual, auditores da Receita Estadual e do Corpo de Bombeiros.
Foram inspecionados três galpões e a sede do grupo empresarial. Nos locais, fiscais encontraram sujeira, mofo, matérias-primas sem controle de temperatura e umidade, além do funcionamento da empresa sem o alvará sanitário necessário.
Entre os itens encontrados, segundo a Anvisa, havia uma betoneira usada para fabricar os suplementos. Na sede, havia uma gráfica para imprimir os rótulos dos produtos irregulares em grande quantidade.
Os suplementos eram vendidos como “encapsulados” com promessas de benefícios para a saúde, algo proibido para produtos alimentícios. A agência apontou que os produtos não tinham os ingredientes ativos anunciados e não seguiam as normas sanitárias.
A investigação indicou o uso de substâncias não autorizadas, como extrato de ginkgo biloba. Também foram apreendidos muitos anabolizantes, cuja origem será investigada.
O esquema ainda incluía fraude fiscal, com manipulação do ICMS e uso indevido de imunidade fiscal para e-books, causando prejuízo ao estado de Minas Gerais estimado em mais de R$ 100 milhões.
A empresa também vendia chás e produtos à base de plantas, feitos em condições muito ruins. A sede e os galpões foram interditados, com apreensão de produtos para análise.
O Ministério Público e órgãos fazendários bloquearam mais de R$ 1,3 bilhão da empresa, cujo nome não foi divulgado, e congelaram bens e imóveis dos investigados. Mandados de prisão e busca foram cumpridos em Minas Gerais e Goiás.
Entre os crimes investigados estão associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, e crimes contra a saúde pública e o consumidor.
Desde 2024, com a RDC 843, todos os suplementos novos precisam ser regularizados pela Anvisa. Produtos que já estavam no mercado têm até setembro de 2026 para se adequar.

