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sexta-feira, 20/02/2026

Polícia do Amazonas investiga núcleo político do Comando Vermelho

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RECIFE, PE (FOLHAPRESS)

Uma operação da Polícia Civil do Amazonas foi realizada na sexta-feira (20) para desarticular um suposto núcleo político do Comando Vermelho no estado. A investigação aponta que essa facção teria influência nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com ramificações em outros estados do Brasil.

A ação policial cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Amazonas e em seis outros estados. As ordens foram executadas em Manaus, Belém e Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).

No balanço até o fim da manhã, 14 pessoas foram presas, sendo oito no Amazonas e seis nos demais estados.

A investigação busca desmontar um esquema envolvendo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de violação de sigilo funcional, segundo a polícia. Entre os alvos estão uma ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, uma policial, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de vereadores. Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados.

As apurações começaram após a apreensão de mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações usadas para transporte da droga, um veículo utilitário e aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante.

Segundo o delegado Marcelo Martins, relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada por servidores públicos investigados.

Ele explicou que esses agentes provavelmente colaboravam com o grupo, fornecendo informações sigilosas e apoio à atuação da organização dentro da administração pública.

Martins também afirmou que o grupo utilizava empresas registradas no setor logístico para movimentar recursos e encobrir o transporte de drogas.

“Essas empresas simulavam um transporte legal, mas na verdade estavam transportando drogas para vários estados”, disse ele em entrevista coletiva.

De acordo com o delegado, as drogas eram compradas em Tabatinga (AM) e distribuídas para outros estados. A investigação apurou que, nos últimos quatro anos, o esquema movimentou cerca de R$ 70 milhões, baseado em dados financeiros do inquérito.

As empresas consideradas de fachada atuavam formalmente no setor de logística, mas não apresentavam movimentações compatíveis com essa atividade, mantendo transações principalmente com investigados por tráfico e servidores públicos.

Martins informou que o líder do grupo não foi localizado, pois fugiu por volta das 3h do local onde estava em São Paulo. Sua esposa foi presa durante a operação.

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