LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS
O presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Marcio Pochmann, afirmou nesta quarta-feira (21) que o órgão tem sido alvo de notícias falsas, negou acusações de autoritarismo e explicou que a gestão serve para tomar decisões importantes.
Essas declarações ocorreram dois dias após a substituição da coordenação das contas nacionais do IBGE, responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).
A exoneração da pesquisadora Rebeca Palis, anunciada na segunda-feira (19), surpreendeu os funcionários e reacendeu conflitos entre a direção e parte dos servidores.
Pochmann participou em Brasília, em um evento de lançamento do plano de trabalho do IBGE para 2026. No discurso, não comentou a troca da coordenadora, mas aproveitou para responder às críticas dirigidas à direção do órgão.
“Frequentemente aparecem na imprensa notícias negativas, dizendo que o IBGE é isso ou aquilo, mas são muitas notícias falsas e mentiras de quem não conhece a importância desta instituição. Não sabem da honra, do compromisso e da consciência dos servidores”, disse o presidente.
A crise interna começou no segundo semestre de 2024, quando o sindicato dos funcionários (Assibge) e o corpo técnico passaram a questionar as decisões da gestão Pochmann.
Em cartas públicas no início de 2025, pesquisadores afirmaram que o comando do IBGE tinha um “viés autoritário, político e midiático”. Rebeca foi uma das signatárias.
“Às vezes alguém chama uma decisão de autoritarismo, mas é preciso lembrar o que era o IBGE nos anos 1960 e 1970, durante a ditadura militar”, afirmou Pochmann.
“Quantos colegas foram presos, demitidos e perseguidos? O que era trabalhar numa instituição que tinha censores? Os dados eram alterados pelo governo. É preciso lembrar essa história da nossa casa”, acrescentou.
Pochmann explicou que sua gestão busca fazer um avanço organizacional no instituto, citando ações e projetos desde 2023.
Mencionou, por exemplo, a mudança de servidores de um prédio alugado no Rio de Janeiro para outro local, o que gerou economia.
Alguns servidores reclamaram das condições no novo prédio, que antes era do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
“O dinheiro economizado está sendo usado para recuperar a estrutura do IBGE. Não é algo que todos gostam, mas às vezes é necessário tomar decisões”, comentou Pochmann.
“A direção serve para tomar as decisões que a instituição precisa, e esse é nosso compromisso enquanto estivermos no IBGE”, completou.
O plano de trabalho para 2026 é um documento de 76 páginas que descreve a estrutura do órgão e apresenta as pesquisas planejadas.
Para divulgar o plano, o IBGE organizou eventos nas cinco grandes regiões do país, começando em São Francisco do Conde (BA), seguindo para Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Macapá.
“Estamos retomando o planejamento que irá guiar o IBGE de 2026 a 2030. Não há garantias de que tudo será realizado, mas estamos mostrando para a sociedade e o governo quais são os objetivos”, afirmou Pochmann.
O Rio de Janeiro, onde fica a sede do IBGE, não participou dos eventos, o que gerou críticas dos servidores locais.
Alguns críticos consideram essas cerimônias apenas uma cortina de fumaça, sem garantias de avanços reais em meio às questões internas do instituto.
O plano indica que, em 2026, o IBGE pretende avançar no planejamento do Censo Demográfico 2030, incluindo uma consulta pública.
O órgão ainda precisa finalizar a publicação dos dados do último censo, realizado em 2022.
O IBGE também prepara o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, que catalogará os estabelecimentos rurais do país. A coleta prevista para 2026 foi adiada para 2027.
Além disso, haverá uma prova-piloto do recenseamento da população em situação de rua no Brasil.
A gestão Pochmann busca alterar o estatuto da instituição, o que gerou outro ponto de conflito com os servidores no ano passado.
