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segunda-feira, 23/02/2026

PMs vão a julgamento popular por morte de estudante de medicina em São Paulo

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Em Brasília

PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS

Os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado serão julgados por um júri popular acusados da morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22 anos, ocorrida em novembro de 2024 após uma abordagem em um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

A decisão, conhecida como pronúncia, foi publicada na segunda-feira (23), mas a data para o julgamento ainda não foi marcada.

A juíza Luiza Torggler Silva não determinou a prisão dos policiais. Mesmo com as investigações da Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público apontando para homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar, os policiais não foram presos.

O advogado João Carlos Campanini, que representa os acusados, afirmou que respeita a decisão, mas vai recorrer, ressaltando que não há certeza sobre os fatos e que, em caso de legítima defesa, a dúvida deve levar à absolvição.

Segundo a juíza, Macedo agiu com intenção de matar por motivo torpe e dificultou a defesa da vítima ao disparar contra o estudante. Prado contribuiu para o crime, pois se aproximou da vítima e a agrediu com um chute, o que agravou a situação antes do disparo fatal.

Julio Cesar Acosta Navarro, pai de Marco Aurélio, falou emocionado sobre a decisão, afirmando que é um passo importante após mais de 450 dias de dor e indignação com a impunidade. Ele espera que os policiais sejam expulsos da corporação.

As câmeras corporais dos policiais gravaram toda a ocorrência. Na madrugada de 20 de novembro de 2024, Marco Aurélio caminhava pela Avenida Conselheiro Rodrigues Alves para ver uma jovem com quem tinha relacionamento quando foi abordado pela viatura com Macedo e Prado. Após um incidente no retrovisor da viatura, Macedo perseguiu o estudante até o hotel, onde ele acabou encurralado e baleado.

Marco Aurélio foi levado ao Hospital Ipiranga, na zona sul, cerca de 6 km do local do disparo, embora houvesse hospitais mais próximos. O hospital estava superlotado e o aparelho de tomografia não funcionava no momento.

A investigação da polícia indicou que Macedo confundiu Marco Aurélio com um morador de uma favela próxima, sem saber que ele residia em outra região.

O Ministério Público e a família pediram a prisão dos policiais, mas o pedido foi negado.

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