A Polícia Civil de São Paulo afirmou que as policiais militares que limparam o apartamento onde a policial militar Gisele Alves foi encontrada com um tiro na cabeça não tentaram esconder provas. A investigação que levou à prisão do marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito de feminicídio, foi detalhada pela corporação.
De acordo com a polícia, não havia impedimentos técnicos ou legais para a limpeza do local. O registro da presença das militares no prédio está nos documentos do processo. As policiais chegaram por volta das 17h48 e entraram no apartamento acompanhadas por uma funcionária do condomínio. O coronel Alex dos Reis Asaka, corregedor da PM, explicou que a limpeza não foi solicitada pelo tenente, mas pelo comandante.
As três policiais mulheres foram ao local por uma questão humanitária. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, explicou que, inicialmente, se acreditava que o caso era suicídio, e a presença das PMs visava evitar que a família e amigos tivessem que lidar diretamente com a limpeza do local.
“Queríamos minimizar a dor da família, não havia intenção de interferir na investigação.”, afirmou o coronel Alex dos Reis Asaka.
Desembargador foi ao local como amigo do PM
O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, esteve no apartamento após ser chamado pelo tenente-coronel Geraldo. O delegado do 8º DP, Denis Saito, afirmou que o desembargador não interferiu na cena do crime, apenas visitou o local como amigo do tenente.
Prisão por suspeita de feminicídio e fraude processual
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso por suspeita de feminicídio e fraude processual por determinação da Justiça Militar. A prisão preventiva foi solicitada após um laudo, cujo conteúdo é sigiloso. Ele está detido no presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.
Perícia indicou que a policial Gisele Alves foi imobilizada por trás e baleada na cabeça com uma pistola pertencente ao tenente-coronel. O exame mostrou marcas de dedos na mandíbula e marcas de unha no pescoço, indicando que ela foi segurada com força.
O advogado do tenente-coronel, Eugênio Malavasi, alegou que não existem fundamentos legais para manter a prisão, argumentando que a Justiça Militar não teria competência para determinar medidas invasivas, que seriam da Justiça Comum.
Gisele morreu após ser encontrada ferida em seu apartamento no bairro do Brás, São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela foi levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu ao ferimento.
No depoimento, Geraldo disse que tentou se separar da esposa na manhã do ocorrido, afirmando que ainda a amava, mas que o relacionamento não estava funcionando. Ele disse que ouviu um barulho e encontrou Gisele caída no chão, ferida.
A mãe da vítima relatou à polícia que o relacionamento era conturbado, que o tenente-coronel era abusivo e violento, proibindo Gisele de usar batom, salto alto e perfume e impondo muitas tarefas domésticas.
O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas a Polícia Civil mudou a classificação para morte suspeita após depoimento da mãe da vítima. A investigação está a cargo do 8º Distrito Policial e da Corregedoria da Polícia Militar.
Em caso de violência, denuncie
É possível fazer denúncias pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas, inclusive para ligações do exterior, gratuitamente.
O serviço oferece orientação especializada e encaminha as vítimas para assistência e apoio psicológico.
Denúncias também podem ser feitas pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
Além disso, existe o Disque 100, aplicativo Direitos Humanos Brasil e a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Vítimas em situação de risco podem solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.
